BRASIL


Chuvas que atingiram PR e SP foram influenciadas por El Niño e frentes frias

Meteorologistas afirmam que chuvas devem diminuir a partir desta terça-feira (15) e dar uma trégua até sábado (19); No entanto, outra frente fria deve chegar à região no domingo (20)

Foto: Alexandre Santos/MundoBA

 

Os temporais que atingiram os estados de Paraná e São Paulo nos últimos dias são o resultado dos efeitos do fenômeno El Niño, afirmam meteorologistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.

Os problemas começaram ainda nesta quarta-feira (9), quando fortes chuvas atingiram o Paraná, provocando a cheia de rios que cortam a região do Vale do Ribeira. Houve destruição em redes de abastecimento de água e energia, além de interdições em rodovias.

Em todo o estado, 2.468 cidadãos precisaram deixar suas casas, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na manhã desta segunda-feira (14). Desde domingo (13), ao menos uma pessoa morreu e duas seguem desaparecidas no estado.

Na tarde desta segunda, o Corpo de Bombeiros afirmou ter encontrado o corpo de um homem às margens do rio Ribeira, em Rio Branco do Sul. A identidade dele não foi divulgada. Ele seria uma das pessoas que estavam em um carro levado por uma enxurrada no domingo de manhã. A outra vítima segue desaparecida.

Também no domingo, o corpo de um morador da comunidade das Pacas em Tunas do Paraná foi achado nesta segunda. O total de mortos no estado em decorrência da chuva chegou a quatro desde a semana passada.

Três pessoas de uma mesma família morreram na quinta (10) após a casa onde moravam ter sido soterrada por um barranco em Ponta Grossa (a mais de 100 quilômetros de Curitiba).

As chuvas desta segunda deixaram estragos em rodovias. A cidade de Adrianópolis está parcialmente isolada, já que um ponto da BR-467, no quilômetro 6, cedeu integralmente.

No lado paulista, as cidades do Vale do Ribeira são as mais atingidas, onde 152 famílias tiveram de deixar suas casas e comércios com receio das enchentes que atingem a região.

Dez das 22 cidades que integram a região estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda. O cenário é preocupante pela cheia do rio Ribeira de Iguape, que subiu cerca de 12 metros desde o início das chuvas.

O volume de chuva é tão grande que, em apenas 14 dias, até as 9h desta segunda-feira, o atual mês já é o setembro mais chuvoso na cidade de São Paulo desde 1943, quando começaram as medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Assim como na tragédia do Rio Grande do Sul, em 2024, o cenário climático atual é formado pela junção de duas frentes frias que vieram da região Sul do país e estacionaram sobre o norte paranaense e sul paulista, freadas por uma grande massa de ar quente e seco na região central do país.

“Normalmente, o El Niño causa chuva no Sul, mas eventualmente a área pode se deslocar um pouco mais para cima. As áreas mais atingidas ficaram entre o Paraná e São Paulo nos últimos dias e isso deve permanecer assim nas próximas semanas”, completa Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.

Os dois meteorologistas afirmam que as chuvas devem diminuir a partir desta terça-feira (15) e dar uma trégua até sábado (19). No entanto, outra frente fria deve chegar à região no domingo (20), trazendo mais chuva para a região já castigada e com o solo encharcado, o que pode provocar novas enchentes.

Devido a esse panorama, a Defesa Civil paulista estuda antecipar o início de sua operação de combate aos efeitos da chuva, que começa oficialmente em 1º de dezembro e vai até o fim do verão.