ECONOMIA


Avanço do crime organizado no mercado de gás ameaça abastecimento e eleva preços, alerta SindiGás

Entidade aponta riscos de monopólios locais e pede cautela em alterações regulatórias no setor

Foto: Reprodução/Achei Sudoeste

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de HLP (SindGás), Sérgio Bandeira Melo, alertou nesta terça-feira 915) para o risco de monopólios locais no setor devido ao avanço do crime organizado. A declaração ocorreu durante evento CB Talks Segurança para o desenvolvimento do Brasil: uma agenda contra o crime organizado, promovido pelo jornal Correio Braziliense.

De acordo com a entidade, a perda de controle territorial pelo poder público impacta diretamente o preço do botijão e o abastecimento das comunidades. O segmento atinge 91% dos lares brasileiros, movimenta 400 milhões de botijões de 13 quilos por ano, gera 350 mil empregos diretos e indiretos e recolhe R$ 11 bilhões em tributos anuais.

O dirigente apontou a expansão de vendas informais em estabelecimentos sem autorização e a imposição de restrições a comerciantes legais em áreas dominadas. Essa interferência reduz a concorrência e gera alta expressiva nos valores cobrados dos consumidores.

Mello enfatizou que o problema do segmento se concentra na distribuição territorial e colocou o setor à disposição das autoridades. “Nós temos uma situação hoje: das 7,7 milhões de toneladas que são comercializadas no Brasil, não temos fraudes de quantidade, qualidade ou integridade. Temos problemas de território. As nossas empresas se colocam à disposição para colaborar com o poder público, tanto no mapeamento quanto na atuação, para que, no eventual combate à criminalidade, não exista qualquer tipo de risco de desabastecimento das comunidades ou de abuso do poder econômico”, comentou Mello.

Além da questão territorial, o SindGás manifestou ressalvas sobre propostas de alterações na regulação do mercado de GLP, como a permissão para a venda fracionada. Segundo o executivo, a medida pode abrir margem para novas modalidades de fraude e complicar a fiscalização sobre a comercialização.

O representante defendeu o cálculo prévio de impactos sociais em decisões regulatórias para impedir a abertura de brechas à criminalidade. “Existe uma janela importante para se fazer uma conta prévia. Correr atrás do crime organizado custa muito caro e, depois que ele se instala, o custo é ainda maior para o Estado e para toda a sociedade”, concluiu Mello.