ECONOMIA


Crise no STF prejudica economia, diz Durigan

Ministro da Fazenda reafirmou que é preciso controlar gastos obrigatórios com maior rigor e fazer revisões em programas sociais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atrapalha muito a economia e traz instabilidade nociva para o país.

“O Poder Judiciário tem que ser um poder independente do Legislativo, do Executivo, e ao mesmo tempo harmônico, e tem que ter uma postura de ganhar mais credibilidade, de abrir os processos sem escolhas seletivas do que está sendo vazado ou não vazado. É preciso fazer isso à luz do que está sendo vazado”, declarou em entrevista ao Neofeed.

E prosseguiu: “Atrapalha a economia, atrapalha a credibilidade do investidor estrangeiro, porque volta a ter, assim, uma certa imprevisibilidade.”

Questionado sobre um possível preconceito do mercado e outros setores anti-PT para com o governo, o ministro disse que só o primeiro apresenta tal comportamento.

“Primeiro é preciso esclarecer para o mercado que não é verdade que um governo de direita ou centro-direita, no caso do Brasil, é mais responsável do que o governo de centro-esquerda. Porque não é”, declarou.

Durigan repetiu que é preciso dar atenção para um controle maior dos gastos obrigatórios e fazer revisões em programas sociais. No entanto, afirmou que não pretende fazer um “cavalo de pau” na gestão, ou seja, que os princípios do governo se manterão.

Durigan voltou a defender a manutenção do atual arcabouço fiscal, com ajustes, como caminho para dar previsibilidade à política econômica.

“O país está cansado da troca de regras fiscais. Há muita regra fiscal sendo trocada, muita promessa vazia. O arcabouço fiscal conseguiu trazer impacto fiscal neutro de 2024 a 2026, e ele precisa ser aperfeiçoado”, afirmou o ministro, ao comentar, durante seminário da Esfera, que a prioridade deve ser fortalecer a regra vigente, e não substituí-la a cada ciclo.

Durigan argumentou que a consolidação do arcabouço e o avanço no ajuste das contas públicas são essenciais para reduzir a pressão sobre a taxa de juros e melhorar o ambiente de investimento.

Para ele, a estratégia passa por combinar responsabilidade fiscal com um projeto de desenvolvimento, de forma a sustentar uma trajetória de melhora do equilíbrio fiscal ao longo do tempo.

Nesse contexto, ele destacou a necessidade de reduzir gastos obrigatórios, o que, na sua avaliação, ajuda a abrir espaço para juros mais baixos no País.

Ele afirmou ainda que a equipe econômica obteve recentemente um avanço nessa frente, referindo-se aos gatilhos de contenção de gastos obrigatórios a partir do ano que vem. “Esse é um ganho ainda modesto, mas bastante importante para sinalizar essa trajetória”, declarou.

Ao comentar o ciclo eleitoral, o ministro cobrou serenidade, para que 2026 seja um ano diferente de 2022. “As eleições precisam passar com tranquilidade, não dá para ter quebra-quebra; tem que ter reconhecimento do resultado”, afirmou.

Segundo ele, as instituições precisam assegurar um ambiente em que o resultado das urnas seja respeitado, reduzindo ruídos que elevam incertezas e custos financeiros.