ECONOMIA


Desembolso do crédito rural recua 37,8% no início da safra 2026/2027

Liberações federais somam R$ 44,3 bilhões no bimestre, com retração acentuada nos investimentos e alta nas operações problemáticas

Foto: Alberto Coutinho/Secom

O crédito rural acumulou R$ 44,3 bilhões em desembolsos em julho e agosto, nos dois primeiros meses do Plano Safra 2026/27. O montante representa uma retração de 37,8% na comparação com os R$ 71,3 bilhões liberados no mesmo período da safra 2025/26, segundo dados do Banco Central compilados pela Faesp.

O valor contratado corresponde a 10,6% do total de recursos anunciados para o ciclo atual, desconsideradas as Cédulas de Produto Rural (CPRs). O número de contratos seguiu essa trajetória e soou 300.312 operações, o que representa redução de 34,4%.

A diminuição na liberação de recursos afetou Pronaf, o Pronamp e os demais produtores da agricultura empresarial. A maior retração ocorreu no grupo dos demais produtores, com recuo de 46,5%.

Todas as finalidades de financiamento registraram queda nas contratações no país. O custeio encolheu 33,1%, enquanto os financiamentos voltados para investimentos recuaram 53,8%, a maior queda entre as modalidades.

No estado de São Paulo, os repasses somaram R$ 3,3 bilhões em julho e agosto, valor equivalente a 7,5% do montante contratado no país. O resultado paulista indica queda interanual de 46,7% no volume financeiro e diminuição de 46,3% no número de contratos, que totalizaram 5.002 operações.

Todos os enquadramentos de produtores paulistas apresentaram retração, liderados pela agricultura empresarial com queda de 48,1%, seguida pelo Pronamp com 45,5% e pelo Pronaf com 28,6%. Entre as finalidades no estado, a comercialização encolheu 79,6%, o investimento caiu 64,9%, a industrialização recuou 60,8% e o custeio diminuiu 31,8%.

A menor contratação de crédito ocorre em paralelo ao avanço das operações classificadas como problemáticas no setor. Em julho de 2026, o estoque dessas operações em São Paulo alcançou R$ 13,8 bilhões, ante R$ 8,4 bilhões registrados no mesmo mês de 2025, o que significa alta nominal de 64%.

Os indicadores apontam menor capacidade de pagamento por parte dos produtores no início do ciclo atual. O cenário sinaliza a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à regularização das operações e à preservação do acesso ao crédito oficial.