ECONOMIA


Presidente do BC alerta para crédito caro e aumento do endividamento das famílias

Gabriel Galípolo destacou que crescimento tem sido impulsionado principalmente por linhas de crédito utilizadas para consumo e despesas recorrentes

Foto: Pexels/Nicola Barts

 

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou nesta segunda-feira (24) para o avanço de modalidades de crédito caras e sem garantia em meio ao aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Segundo o presidente do BC, o endividamento continua avançando mesmo com a melhora do mercado de trabalho. Em junho, a taxa de desemprego caiu para 5,4%, enquanto a renda disponível das famílias chegou a R$822 bilhões em maio, maior valor registrado.

Durante participação no evento Febraban Tech, Galípolo afirmou que o crescimento recente das dívidas tem sido impulsionado principalmente por linhas de crédito utilizadas para consumo e despesas recorrentes. “Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, afirmou.

Para Galípolo, a preocupação não está apenas no volume das dívidas, mas também no tipo de crédito contratado. “Nem todo tipo de endividamento é um problema. Comprar uma casa, por exemplo, gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados”, declarou.

Galípolo também comentou os índices de confiança dos brasileiros no Pix. Segundo pesquisa da Quaest apresentada na ocasião, 80% dos entrevistados afirmam confiar no sistema de pagamentos, enquanto 70% dizem confiar no próprio cônjuge. “Isso me preocupa”, brincou.

O Pix aparece à frente de instituições como Igreja Católica, Polícia Militar e Forças Armadas, além de registrar nível de confiança superior ao da Presidência da República, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

Segundo estudo do Banco Central, o sistema de pagamentos instantâneos é utilizado atualmente por 148 milhões de pessoas físicas, o equivalente a 86% da população adulta, e por 12,8 milhões de empresas.