ECONOMIA


Durigan defende combater ‘pejotização’ para conter déficit da Previdência Social

DSegundo ministro, estudos mostram que algumas empresas tiveram migração de empregados celetistas para "pejotizados", o que estaria gerando piora no déficit da Previdência Social

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (24) o combate à chamada “pejotização” como forma de combater o crescente rombo na Previdência Social. “Pejotização” refere-se à contratação sistemática de trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ), e não como empregados com carteira assinada.

De acordo com o ministro, há estudos que mostram que algumas empresas tiveram uma migração de empregados celetistas para “pejotizados”, o que estaria gerando uma piora no déficit da Previdência Social. Esses empregados podem, por exemplo, estar sendo contratados como microempreendedores, que têm contribuição reduzida.

“Poderia se ter uma regra no país de uma porcentagem do que uma empresa contrata como pejotizado ou não. Se tem 10% [contratado como pejotizado], está terceirizando um serviço e que é da regra do jogo, é ok. Agora uma empresa que tem 80% da sua força de trabalho pejotizada, eventualmente pode ter de obrigar essa empresa a ter uma contribuição previdenciária para nivelar e poder oferecer aos seus trabalhadores um futuro um pouco mais protegido do ponto de vista da seguridade social”, explicou Durigan.

Em entrevista à Broadcast, da Agência Estado, ele afirmou que esse tipo de regra tem sido estudada pela equipe econômica, e pode ser apresentada ao Congresso Nacional em um novo mandato do presidente Lula.

Esse tema já havia sido comentado pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Em junho, Marinho afirmou que o MEI não pode ser utilizado para fraudes trabalhistas e que o micrompreendedor não pode ter características de trabalhadores com carteira assinada.

Segundo o ministro, isso poderia “arrebentar” recursos como com a Previdência, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Sistema S, que reúne instituições como Senai, Sesi e Senac.

Marinho disse esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF), que julga ação sobre pejotização na economia, não permita que isso aconteça.

“Não podemos é utilizar o MEI como uma fraude trabalhista, precisa ser empreendedor. Não é o enfermeiro, não é o gari. Isso é fraude trabalhista, não é o gerente. O conceito de debate do que é PJ e não precisa ficar claro, o Supremo tem a responsabilidade de não cometer a irresponsabilidade de permitir contratar PJ como empreendedor. Tem que caracterizar o que é empreendedor”, declarou.