SALVADOR


Prefeitura de Salvador prorroga situação de emergência em São Tomé de Paripe por mais 90 dias

Decreto mantém medida adotada após contaminação da praia por substâncias químicas e metais

Foto: Reprodução/TV Bahia

 

O prefeito Bruno Reis prorrogou por mais 90 dias a situação de emergência na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador. O decreto foi assinado na segunda-feira (10), mantendo a medida inicialmente adotada em 8 de junho após a identificação de substâncias químicas e concentrações elevadas de metais como cobre, zinco e ferro em diferentes pontos da região.

De acordo com o novo decreto, a prorrogação foi necessária porque os efeitos provocados pelo desastre ainda não cessaram. A Prefeitura aponta a permanência dos impactos ambientais e sociais causados pela presença de substâncias químicas na área e a necessidade de manter ações de monitoramento, prevenção, mitigação e resposta.

Estudos realizados pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), segundo a Prefeitura, identificaram níveis preocupantes de contaminação em organismos marinhos, principalmente moluscos bivalves, como ostras encontradas na região.

O cenário levantou preocupação com possíveis impactos ambientais e riscos à saúde de quem frequenta a praia. A gestão municipal atribui a contaminação a resíduos provenientes de atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, com base em apurações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Em junho, a Defesa Civil nacional também reconheceu a situação de emergência em Salvador. Com o reconhecimento federal, o município poderá acessar recursos da União para ações de assistência humanitária, recuperação das áreas afetadas e redução dos impactos provocados pela contaminação.

A contaminação em São Tomé de Paripe também resultou em multas administrativas aplicadas pelo Inema às empresas apontadas como responsáveis pela degradação ambiental.

A atual gestora do terminal marítimo, Terminal Itapuã Ltda. (Intermarítima), foi multada em R$ 20 milhões. Já a antiga proprietária, Gerdau Aços Longos S.A., recebeu uma multa de R$ 50 milhões. Ao todo, as penalidades chegam a R$ 70 milhões.

Segundo o Inema, a infração foi caracterizada como poluição ambiental efetiva após análises documentais, inspeções técnicas e coleta de amostras realizadas nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro e 2, 7 e 14 de abril de 2026, tanto na praia de São Tomé de Paripe quanto no Terminal Itapuã.