ECONOMIA


Ibovespa cai 2,5% na mínima desde janeiro com saída de estrangeiros e rebaixamento pelo JPMorgan

Incertezas fiscais, pesquisa eleitoral e tensão geopolítica no Oriente Médio fecham o índice aos 167,8 mil pontos

Foto: Reprodução/Freepik

O Ibovespa fechou em queda de 2,5% nesta terça-feira (11), aos 167.874,64 pontos, na menor marca registrada desde 20 de janeiro. A retração reflete a saída de capital estrangeiro, o rebaixamento da recomendação das ações brasileiras pelo JPMorgan e as incertezas fiscais e geopolíticas.

Na semana anterior, a retirada de recursos por investidores estrangeiros somou R$5,55 bilhões. O JPMorgan reduziu a avaliação do Brasil para neutra no âmbito da América Latina e cortou a projeção para o Ibovespa ao fim do ano de 190 mil para 185 mil pontos.

A instituição justificou a decisão com a combinação de crescimento econômico mais fraco, deterioração do crédito, juros em patamar elevado por mais tempo e volatilidade diante do cenário eleitoral.

Em relação à disputa presidencial, a pesquisa CNT/MDA apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48% das intenções de voto em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que registrou 39,1%.

“Pela reação dos mercados financeiros, observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, na expectativa de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável”, declarou Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX.

O mercado também repercutiu a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o IPCA de julho, que registrou variação de 0,07%, ante projeção de 0,03%, com acumulado em 12 meses em 4,44%. O Banco Central manteve a postura austera após o corte da Selic para 14% ao ano.

“É um BC disposto a manter o ritmo lento na calibração, mas sem dar indicação explícita disso”, divulgou a Warren Investimentos. Para Gabriel Magno, sócio da AW Capital, o dado inflacionário não altera a trajetória do juro: “Não acredito que estes dados do IPCA vão ter impacto nas próximas decisões de juros”.

Em avaliação sobre a conjuntura, João Debom, sócio da Supernova Investimentos, destacou a desconfiança da autoridade monetária quanto aos riscos futuros. Basiliki Litvac, economista da XP, previu a taxa básica mantida no nível atual: “Quanto à política monetária, esperamos que a Selic permaneça em 14,00% até o fim do ano, embora os dados recentes de atividade e inflação criem um ambiente favorável para que o Copom continue com o ciclo de cortes”.

No exterior, o impasse entre Estados Unidos e Irã manteve o Estreito de Ormuz fechado e elevou a cotação do petróleo. O contrato do tipo Brent subiu 1,4%, a US$88,91 o barril, e o WTI avançou 1,3%, a US$83,20.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou que o trecho continuará bloqueado até a alteração da postura norte-americana. A via concentrava 20% do fluxo global do commodity antes do conflito com o país.

No mercado local de ações, a Vale cedeu 2,02% e a Petrobras recuou 1,35%, enquanto as bolsas de Nova York encerraram a sessão em queda. Nos balanços corporativos, o BTG Pactual reportou lucro líquido ajustado 23% superior, a Caixa Seguridade cresceu 9,5% e a Natura registrou retração de 92,1%.