ECONOMIA


ApexBrasil investe R$210 milhões para apoiar empresas afetadas por tarifas nos EUA

Ação extraordinária atenderá 5,3 mil companhias nos próximos 12 meses com foco na diversificação de mercados

Foto: Eduardo Aiache/GOVBA

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, anunciou nesta terça-feira (11) uma ação extraordinária de R$ 210 milhões para atender 5.300 empresas brasileiras impactadas pelo aumento de tarifas no mercado norte-americano. A iniciativa, apresentada no WTC Events Center, visa aproximar companhias e compradores internacionais em mercados alternativos por meio de feiras, rodadas de negócios e reuniões comerciais ao longo dos próximos 12 meses.

A estratégia opera em dois eixos, com atendimento direto e individualizado da ApexBrasil no primeiro deles. “A partir de amanhã as empresas brasileiras já podem se inscrever e a ApexBrasil vai atender diretamente, caso a caso”, disse Müller, com foco em viabilizar encontros com compradores alternativos para reduzir a dependência do mercado americano.

O segundo eixo ocorre em parceria com 29 entidades do setor privado para a estruturação de um plano específico aos setores afetados pelas tarifas. O modelo inclui feiras, missões de negócios e rodadas no Brasil com a vinda de compradores estrangeiros.

O programa inclui apoio financeiro direto para a preparação de empresas rumo a novos mercados, como a obtenção de certificações exigidas por outros países. A ApexBrasil atuará com 36 mercados considerados prioritários para a diversificação de negócios.

Apesar do foco na diversificação, a agência mantém a atuação nos Estados Unidos, tido como mercado relevante. A promoção comercial permanece ativa, inclusive pelo escritório em Washington, para a busca de ampliação de isenções tarifárias e apoio a setores não atingidos.

Müller avaliou a medida como inédita na agência para responder a um cenário “extraordinário” no comércio internacional. A iniciativa contrasta com a postura tradicional do Brasil e do setor privado de defender a abertura e a redução de tarifas.

O presidente afirmou que os impactos são heterogêneos entre empresas, regiões e setores. Enquanto companhias que investiram por anos nos Estados Unidos enfrentam dificuldades para o redirecionamento da produção, 72% das empresas acompanhadas pela agência no último ano já diversificaram suas exportações.