ECONOMIA


Etanol garante economia de quase R$80 por tanque frente à gasolina

Segundo levantamento da Unica, que representa setor, competitividade do biocombustível está no maior nível desde 2018

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

O etanol hidratado alcançou a maior vantagem econômica frente à gasolina desde 2018, ampliando a competitividade do biocombustível para os consumidores brasileiros. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que, na última semana, o litro do etanol foi comercializado, em média, a R$3,70 em São Paulo, enquanto a gasolina chegou a R$6,39.

Segundo cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), considerando o rendimento médio do etanol equivalente a 73% do da gasolina, o preço de equilíbrio do biocombustível seria de R$5,07 por litro.

Na prática, isso representa uma economia de R$1,32 por litro abastecido, ou cerca de R$79 por tanque de 60 litros. Segundo a entidade, trata-se da maior vantagem registrada nos últimos oito anos e da segunda maior desde o início da série histórica da ANP, em 2013.

Em São Paulo, maior mercado consumidor do país, a relação entre os preços ficou em 57,9%, bem abaixo do limite de aproximadamente 70% a 73%, considerado referência para que o etanol seja financeiramente mais vantajoso. Em Mato Grosso, a paridade chegou a 55%, com o etanol vendido a R$3,74 por litro e a gasolina a R$6,80.

Para a Unica, a diferença de preços ganha importância em um cenário de instabilidade geopolítica e volatilidade das cotações internacionais do petróleo, reduzindo a exposição do consumidor brasileiro às oscilações do mercado externo.

A entidade também relaciona a maior competitividade do etanol à entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), implementada em 1º de agosto, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro.

Segundo estimativas do setor, a ampliação da mistura poderá reduzir entre 800 milhões e 1 bilhão de litros por ano a necessidade de importação de gasolina pelo Brasil. Em 2025, o país importou cerca de 3,5 bilhões de litros do combustível, de acordo com dados da ANP.

Na avaliação da Unica, a medida fortalece a segurança energética nacional ao ampliar o uso de um combustível renovável produzido no país, reduzindo a dependência de derivados de petróleo importados e contribuindo para amortecer impactos de oscilações nos preços internacionais.