POLÍTICA


Crise entre PF e gabinete de André Mendonça se intensifica no caso INSS

PF diz questionar decisões do STF desde janeiro, enquanto gabinete do ministro cobra esclarecimentos sobre inquérito

Fotos: Divulgação/PF; Carlos Moura/SCO/STF

 

A abertura de uma nova frente de investigação no caso do INSS, agora envolvendo um pedido da Polícia Federal para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha”, acabou escalando uma crise já instalada nos bastidores entre setores da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

A Polícia Federal pediu a abertura de um novo inquérito, o caso chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes, foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República e, com o parecer favorável da PGR para a instauração da investigação, acabou distribuído para André Mendonça, que já relata o inquérito principal do INSS.

Ao longo da investigação, integrantes do gabinete do ministro André Mendonça vinham cobrando informações sobre o andamento do inquérito, questionando a demora de algumas diligências e demonstrando preocupação com mudanças na equipe responsável pela investigação.

Do outro lado, a Polícia Federal nega qualquer irregularidade na condução do caso e sustenta que os procedimentos seguiram critérios técnicos.

Esse mal-estar também aparece em outro episódio. A PF chegou a provocar a Advocacia-Geral da União para avaliar medidas em relação a restrições impostas pelo ministro André Mendonça sobre a comunicação de informações da investigação com superiores de delegados da PF.

Na avaliação de interlocutores do gabinete do ministro, há indícios de que algo não estaria funcionando de forma regular na condução dessas investigações. Fontes da Polícia Federal contestam essa interpretação e afirmam que não houve qualquer tipo de atuação indevida, mas não concordam com decisões que interfiram nas suas competências.

Segundo essas fontes, desde janeiro a PF vinha recorrendo à AGU para questionar medidas que considera interferência nas atribuições da corporação. 

A PF sustenta que essa movimentação antecede o pedido de investigação envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeitas de corrupção e tráfico de influência, e, por isso, não teria relação com esse novo desdobramento do caso.