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Israel condiciona retirada de Gaza ao desarmamento do Hamas; grupo vincula entrega de armas à saída de tropas

Hamas afirmou que vai entregar suas armas, mas apenas mediante a retirada dos soldados de Israel do território palestino

Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Uma autoridade israelense declarou à agência Reuters nesta sexta-feira (31) que as Forças de Defesa de Israel (FDI) não deixarão a Faixa de Gaza até que o Hamas realize um “desarmamento genuíno”. A declaração refere-se à manutenção da atual “Linha Amarela” — zona de demarcação militar estabelecida no acordo de cessar-fogo — e ocorre em um momento crucial das negociações para o fim do conflito na região.

A manifestação, ainda não oficializada pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sucede ao anúncio de que o Hamas aceitou a proposta de acordo mediada internacionalmente e divulgada na quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, via X (antigo Twitter).

As posições das partes envolvidas

O Hamas concordou em transferir seu armamento ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão criado para gerir a administração civil local. A confirmação foi feita pelo negociador do grupo, Ghazi Hamad, que declarou que a decisão busca fazer “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza”. No entanto, o movimento exige a retirada prévia e total das tropas israelenses da região como condição para a entrega das armas.

Por outro lado, fontes políticas israelenses ouvidas pela agência AFP afirmaram que a proposta não atende às exigências de segurança do país. Segundo essas fontes, os termos apresentados não garantem a desmilitarização completa do enclave e não foram detalhados nas reuniões recentes em Washington. Hoje, Israel controla militarmente mais de 60% do território.

O plano em discussão prevê que o Conselho da Paz supervisione o cessar-fogo e a reconstrução local. O processo começará com a transferência do controle civil para o NCAG, após a dissolução do antigo comitê que administrava Gaza desde 2007.

Em seguida, haverá um desarmamento monitorado por mediadores internacionais. O cronograma inclui ainda a chegada da Força Internacional de Estabilização, uma coalizão multinacional aprovada por Israel em 25 de julho, que atuará junto a uma nova força policial palestina.

As conversas no Egito tentam consolidar a segunda fase do acordo firmado em outubro. O impasse central para o fim definitivo do conflito continua sendo o desarmamento dos grupos em Gaza.