POLÍTICA


‘A soberania prevalecerá’, diz Fachin sobre ameaça militar dos EUA

Presidente do STF respondeu à hipótese sobre eventual uso de força militar pelo governo Trump

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos usarem força militar no Brasil, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (8) estar confiante de que a soberania do país vai prevalecer.

“O Brasil é um Estado soberano, e a soberania se exerce com firmeza e serenidade. Nós temos certeza de que isto há de prevalecer, quer aqui na região, quer no concerto global das nações”, defendeu.

No início da semana, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que há a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem forças militares no Brasil após a classificação das facções criminosas CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas.

A declaração de Fachin foi dada a jornalistas em cerimônia no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, de instalação da nova estrutura especializada em organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ao ser indagado sobre o tamanho do risco de infiltração do crime organizado nas eleições, o ministro citou a violência política como grande preocupação e disse que a Justiça Eleitoral está preparada para responder, como já fez em outros pleitos.

“O crime organizado é uma questão central da segurança pública, mas é mais do que isso: é uma ameaça ao próprio Estado de Direito, porque ele corrói as instituições, captura mercados, financia a violência, instrumentaliza o sistema financeiro para a lavagem de seus produtos ou proveitos e, no limite, e bem sabem as forças policiais disso, disputa com o Estado o monopólio do uso da força”, afirmou o ministro em seu discurso.

O evento também contou com a presença do presidente do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), desembargador Francisco Eduardo Loureiro.

A reestruturação no tribunal era uma das prioridades da gestão Loureiro à frente da corte diante do aumento do número de processos envolvendo crime organizado marcados por alta complexidade, múltiplos réus, operações financeiras sofisticadas e investigações de grande porte.

Para Loureiro a nova estrutura já representa um grande avanço no combate ao crime organizado, mas é possível ir além. “Hoje, a operação de combate ao crime organizado não é só criminal, ela é sobretudo de tirar camadas, de saber quem é o titular daquele patrimônio na lavagem de dinheiro. Isso não é bem criminal, isso é muito mais empresarial”, argumentou.