POLÍTICA


Governo acusa Flávio de reforçar argumentos dos EUA contra o Brasil em audiência: “Traição à Pátria”

Planalto associou senador ao tarifaço e ao caso Master em nota oficial sobre audiência promovida pelo USTR

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

 

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de legitimar as alegações norte-americanas contra o Brasil em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir as tarifas impostas ao Brasil. 

No início da manifestação, o governo afirma que “repudia” a participação de Flávio na audiência e destaca que, entre os 78 inscritos para falar sobre o tarifaço, 63 se posicionaram contra as medidas e apenas 15 foram favoráveis. 

Segundo a nota, dos 34 brasileiros inscritos, Flávio Bolsonaro foi o único que não se colocou contra as tarifas, limitando-se a defender o adiamento de sua aplicação.

A nota também afirma que o senador deixou de contestar as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para impor as sanções comerciais ao Brasil e, em vez disso, “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”. 

O governo ainda sustenta que Flávio não negou que a campanha promovida por sua família e aliados esteve na origem do tarifaço nem reconheceu ter agido contra os interesses do país.

A nota dedica um trecho ao caso Master, investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o Planalto, ao mencionar o episódio durante sua manifestação nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro omitiu que o caso teria origem no governo Jair Bolsonaro e deixou de mencionar seus próprios vínculos com Vorcaro.

Na sequência, nota também rebate as críticas feitas pelo senador às políticas brasileiras para plataformas digitais. Segundo a nota, Flávio defendeu a revogação de decretos que buscam impedir a circulação de conteúdos criminosos e combater a violência contra mulheres no ambiente digital.

Outro ponto explorado pelo Planalto é o PIX. A nota afirma que, após criticar o sistema ao longo do último ano, Flávio Bolsonaro agora tenta apresentar-se como seu defensor, mas “propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos”.

A manifestação termina com o trecho mais contundente do documento. “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, afirma a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.