POLÍTICA


Governo Lula libera R$ 34 bilhões em emendas parlamentares antes do início do defeso eleitoral

Valor pago entre janeiro e o início de julho é o maior já registrado para o período em um ano eleitoral

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro e a primeira semana de julho deste ano, registrando o maior volume de recursos liberados para deputados e senadores no período em um ano eleitoral. A informação é do portal Metrópoles.

O montante foi pago antes do início do defeso eleitoral, que começou no último sábado (4) e impede novos repasses desse tipo até o fim das eleições.

Com base em dados do sistema Siga Brasil, do Senado Federal, o valor supera o registrado nos últimos cinco ciclos eleitorais, tanto de eleições gerais quanto municipais. Entre janeiro e julho de 2026, foram liberados R$ 33,89 bilhões, ante R$ 29,40 bilhões no mesmo período de 2024, R$ 23,70 bilhões em 2022, R$ 15,54 bilhões em 2020, R$ 6,88 bilhões em 2018 e R$ 1,41 bilhão em 2016.

O total liberado até agora corresponde a 75,3% de tudo o que foi pago ao longo de 2025, quando as emendas parlamentares somaram R$ 44,97 bilhões. Na comparação com a última eleição presidencial, em 2022, o valor liberado neste ano já é 20,9% superior. Naquele ano, foram pagos R$ 28,04 bilhões durante os 12 meses.

Do total de R$ 33,89 bilhões pagos em 2026, R$ 18,55 bilhões correspondem a emendas individuais de deputados e senadores. As emendas de comissão somam R$ 7,68 bilhões, enquanto as emendas de bancada estadual totalizam R$ 7,28 bilhões. Também foram liberados R$ 386,05 milhões em emendas de relator-geral.

Conhecidas como “orçamento secreto”, essas emendas foram proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022 para despesas discricionárias, mas valores remanescentes de anos anteriores, autorizados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), continuam sendo pagos.

O defeso eleitoral entrou em vigor três meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Durante esse período, agentes públicos passam a cumprir uma série de restrições para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas, sendo permitidos apenas repasses em situações de grave e urgente necessidade pública.