BRASIL


Troca de bilhetes em presídio levou a nova prisão de Deolane, diz PF

Notas continham ordens da facção, contatos com membros do alto escalão do PCC e listas de ações violentas cometidas contra servidores públicos

Foto: Eduardo Martins/Brazil News

 

A prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira (21), teve como origem uma troca de bilhetes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), apreendidos há sete anos em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

A prisão ocorreu no âmbito da operação Vérnix, realizada em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil, que apura um possível esquema que utilizava transportadoras de carga fantasmas para lavar dinheiro para a facção. Os recursos advindos do esquema eram repassados para outras contas, duas das quais pertencem a Deolane.

Deolane foi presa pela manhã em sua residência em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, após retornar de uma viagem internacional à Itália. Em 2024, a influenciadora já havia sido presa em uma investigação sobre suspeitas de crimes envolvendo plataformas de apostas online.

Segundo informações obtidas pelo G1, os bilhetes citados pela investigação continham ordens da facção, contatos com membros do alto escalão do PCC e listas de ações violentas cometidas contra servidores públicos.

Além da influenciadora, foram cumpridos mandados de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como chefe da facção, além de seu irmão e dois sobrinhos. Como o investigado já estava preso, ele passa a responder por uma nova ordem de prisão.

Outro fator que liga Deolane às investigações, segundo a PF, foi a apreensão de um celular em 2021, na operação Lado a Lado. O aparelho pertencia a Ciro Cesar Lemos, apontado como operador financeiro do esquema.

Segundo a investigação, no celular foram encontrados detalhes sobre a lavagem de dinheiro e conexões financeiras do investigado com Deolane Bezerra, incluindo comprovantes de depósitos nas contas da influenciadora.

Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505, segundo o veículo, em depósitos fracionados inferiores a R$10 mil. O baixo valor era utilizado para dificultar o rastreamento financeiro. Os investigadores também encontraram quase 50 depósitos feitos em duas empresas ligadas a Deolane, totalizando R$716 mil.