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Prefeito interino de Bonito de Minas é alvo de investigação por suposta compra de votos

Operação Veredas Gerais apura captação ilícita de sufrágio, transporte irregular de eleitores e ameaça no Norte de Minas

Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira (15), a Operação Veredas Gerais para investigar supostos crimes eleitorais em Bonito de Minas, no Norte de Minas Gerais. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

As investigações começaram após denúncias de possível compra de votos e transporte irregular de eleitores nas eleições municipais de 2024. O principal investigado é um agente político que atualmente ocupa interinamente a chefia do Executivo municipal.

Segundo a PF, o suspeito teria prometido benefícios a eleitores em troca de apoio político. Em um dos casos investigados, materiais de construção teriam sido oferecidos a cinco integrantes de uma mesma família que morava em situação precária na zona rural. A residência acabou desabando após fortes chuvas, sem que o material prometido fosse entregue.

A investigação também aponta que o investigado teria contratado um motorista para transportar eleitores de forma irregular. Conforme apurado, o condutor recebeu orientações sobre trajeto, veículo e pontos de embarque e desembarque para evitar fiscalização. Ainda segundo a PF, ele teria sido alertado de que a descoberta da prática poderia levar à cassação da candidatura.

Outra linha de apuração envolve uma suposta ameaça contra a pessoa responsável pela denúncia à Justiça Eleitoral. O fato teria ocorrido durante o período em que o investigado exercia interinamente o cargo de prefeito.

Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 55 mil em dinheiro, celulares e documentos. Os investigados poderão responder, em tese, por captação ilícita de sufrágio, transporte irregular de eleitores e ameaça.

Eleição suplementar será realizada em junho

Bonito de Minas terá eleições suplementares em 21 de junho para escolha de prefeito e vice-prefeito. O novo pleito foi marcado após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o indeferimento da candidatura de Dilson de Senhorinha (União Brasil), candidato mais votado em 2024, com 51,72% dos votos.

Dilson foi considerado inelegível após condenação por abuso de poder político nas eleições de 2020. Desde janeiro deste ano, a prefeitura é comandada interinamente pelo presidente da Câmara Municipal.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam.