ECONOMIA


Morgan Stanley projeta Ibovespa em 240 mil pontos nos próximos 12 meses

Banco estima potencial de valorização da Bolsa brasileira impulsionado por cortes de juros, fluxo local e investimentos em energia e infraestrutura

Foto: Reprodução/Freepik

 

O Morgan Stanley projeta o Ibovespa em 240 mil pontos nos próximos 12 meses e mantém o Brasil entre suas principais apostas na América Latina, com retorno estimado de cerca de 31% em reais e 22% em dólares.

As informações foram divulgadas pelo InfoMoney, com base em relatório do banco norte-americano sobre as perspectivas para os mercados latino-americanos no próximo ano. Apesar da visão positiva para as ações da região, os estrategistas alertam que o curto prazo ainda exige cautela diante da possibilidade de preços do petróleo permanecerem elevados, pressionando as condições financeiras e a atividade econômica.

Para o Brasil, o Morgan Stanley manteve a recomendação “overweight”, equivalente a uma exposição acima da média. A avaliação é sustentada pela expectativa de rebalanceamento do mercado, mudanças na política econômica e maior atração de investimentos em setores ligados à energia, commodities e infraestrutura voltada à inteligência artificial.

De acordo com o relatório, o país segue bem posicionado para captar novos fluxos em mercados impulsionados por energia e matérias-primas. O banco também destaca o Brasil como um dos favoritos da América Latina para receber investimentos em infraestrutura associada à inteligência artificial.

O setor de petróleo e energia aparece como um dos pilares da tese positiva. Em meio às tensões no Oriente Médio e aos possíveis impactos nos preços do petróleo, o Morgan Stanley aumentou sua exposição à Petrobras e à Copel.

Juros mais baixos podem favorecer a Bolsa

A equipe do banco avalia que a trajetória esperada para a política monetária brasileira pode reduzir o custo de capital e beneficiar uma reprecificação dos ativos locais.

“Um ciclo de afrouxamento monetário em curso reduzirá os custos de capital e os prêmios de risco”, afirma o relatório.

Segundo o Morgan Stanley, uma desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para cortes na taxa de juros, desde que acompanhada de uma trajetória fiscal considerada confiável. Nesse cenário, o banco vê possibilidade de um novo ciclo de investimentos, com melhora da qualidade do crescimento econômico e fortalecimento do crédito privado.

Os estrategistas também afirmam que a redução do custo de capital próprio poderia acelerar a expansão dos múltiplos de mercado. No cenário-base, o banco trabalha com uma reavaliação positiva para cerca de 10 vezes o múltiplo preço/lucro.

Apesar do otimismo, o relatório destaca riscos. Uma inflação pressionada pelos preços da energia poderia manter os juros elevados por mais tempo, especialmente se o encarecimento do petróleo resultar em crescimento mais fraco e risco de recessão.

“A materialização desse cenário nos levaria a adotar uma perspectiva mais pessimista, embora o risco permaneça baixo, visto que nossos economistas também interpretaram a recente reunião do Copom como dovish, apesar da renovada pressão do conflito no Oriente Médio”, diz o banco.

Fluxo local pode atingir US$ 23 bilhões

Um dos principais pontos da análise é a possibilidade de retorno significativo de investidores locais à Bolsa. O Morgan Stanley observa que o mercado de capitais brasileiro já ultrapassou US$ 2 trilhões, enquanto a participação de investidores locais em ações domésticas está próxima de 4%, abaixo da média histórica de aproximadamente 9%.

Na avaliação do banco, a queda da Selic tende a estimular uma migração gradual de recursos para a renda variável. A estimativa é que o patrimônio líquido sob gestão de fundos locais de ações possa crescer até US$ 25 bilhões apenas em razão das mudanças esperadas na taxa básica de juros.

O Morgan Stanley já havia calculado que cada corte de 0,5 ponto percentual na Selic poderia gerar cerca de US$ 2 bilhões em entradas por realocação doméstica. Como os economistas do banco projetam uma redução acumulada de 4,5 pontos percentuais até o fim de 2027, com a taxa em 13% no fim de 2026 e 10,5% no fim de 2027, o fluxo potencial seria de aproximadamente US$ 23 bilhões.

O relatório também aponta que, caso investidores globais ampliem a exposição a mercados emergentes, o Brasil poderia receber até US$ 30 bilhões adicionais se a alocação global nesses mercados atingir 1%.

Banco vê cenário “paradoxal” no Brasil

O Morgan Stanley classificou o atual posicionamento em Brasil como “paradoxal”. Segundo o relatório, gestores de mercados emergentes já estão fortemente posicionados no país, em um dos níveis mais elevados dos últimos 20 anos. Em contrapartida, investidores locais seguem com baixa exposição às ações brasileiras.

Para o banco, o país ainda pode atrair capital estrangeiro adicional, mas o principal diferencial está no potencial de fluxo doméstico. Caso a participação dos investidores brasileiros em ações retorne à média histórica, a demanda por papéis nacionais pode crescer de forma relevante.

Nesse contexto, o Morgan Stanley afirma preferir o Ibovespa ao MSCI Brasil, índice com maior presença de investidores estrangeiros. O banco ressalta, porém, que essa preferência não representa uma aposta específica em small caps, já que cerca de 90% do Ibovespa é composto por ações também presentes no MSCI Brasil.

Entre os papéis classificados como “overweight” com potencial de maior entrada de recursos, o relatório cita Equatorial, Axia Energia e Vibra.

Eleições de 2026 entram no radar

Embora considere prematuro projetar o resultado das eleições de 2026, o Morgan Stanley traçou diferentes cenários para orientar investidores diante de possíveis mudanças na política econômica.

Em um ambiente de transição estrutural do consumo para investimentos, o banco destaca empresas financeiras mais sensíveis aos juros, como Nubank, XP Inc., BTG Pactual e B3. Também aparecem companhias de consumo e construção, como Mercado Livre, Cyrela e Vivara, além de estatais como Petrobras e Banco do Brasil, e empresas ligadas a investimentos, como Rumo e Motiva.

Já em um cenário de continuidade da política econômica, sustentado por estímulos fiscais, o banco aponta empresas com receitas em moeda forte, como Vale, Embraer, Gerdau, JBS e Suzano. Também aparecem instituições financeiras favorecidas por juros elevados, como Itaú Unibanco, BB Seguridade, Caixa Seguridade e Porto, além das empresas de telecomunicações TIM e Telefônica Brasil.