ECONOMIA


Vendas do varejo baiano recuaram 2,2% em março

Apesar de recuo, vendas representaram avanço em comparação ao mesmo mês de 2025

Foto: Rafael Martins/Gov-BA

 

As vendas do comércio varejista baiano recuaram 2,2% em março de 2026, frente ao mês imediatamente anterior. Entretanto, na comparação com o mesmo mês de 2025, as vendas na Bahia foram expressivas (6,3%), encerrando o trimestre com avanço de 4,5%.

O movimento de expansão frente a 2025 se repete pelo décimo segundo mês consecutivo e ficou acima do registrado no Brasil (4,0%). No acumulado dos últimos 12 meses, a Bahia e o Brasil registraram crescimento de 3,9% e 1,8%, respectivamente. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC/IBGE), analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

O recuo das vendas em relação ao mês anterior pode estar relacionado ao fato do carnaval 2026 ter ocorrido em fevereiro, ao invés de março, como em 2025. Essa festividade costuma dinamizar a economia do local, especialmente em cidades turísticas, como Salvador.

Além disso, os efeitos da inflação colaboram para o resultado, com a pressão do orçamento do consumidor. De acordo com os dados do IBGE, em março, a inflação da RM Salvador foi de 1,47%, a mais alta taxa do país e a maior na análise mensal nos últimos quatro anos. Os grupos que mais contribuíram para a inflação foram Transportes (4,79%) e Alimentação e Bebidas (2,26%).

No comparativo com março de 2025, o crescimento das vendas pode ser atribuído ao efeito base, dado que em igual mês do ano anterior houve recuo de 4,7% nas vendas.

O aumento verificado nas vendas foi resultado do comportamento dos segmentos de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Móveis e eletrodomésticos, Outros artigos de uso pessoal e doméstico e Combustíveis e lubrificantes.

Dentre as contribuições negativas, destaca-se o comportamento de Tecidos, vestuário e calçados (-5,3%), por conta do efeito calendário e do ajuste do orçamento familiar, uma vez que, nos primeiros meses do ano, o consumidor costuma ajustar o seu orçamento a fim de honrar os compromissos financeiros, como IPVA, IPTU, matrículas e compras de materiais escolares.

No comércio varejista ampliado, que inclui o varejo restrito e mais as atividades de Veículos, motocicletas, partes e peças, materiais de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas recuaram 1,0%, em relação ao mês imediatamente anterior.

Na comparação a igual mês do ano de 2025, o crescimento foi 11,7%, resultado que levou ao aumento de 5,3% no trimestre e 2,2% no acumulado dos últimos 12 meses.

Ainda em relação ao ano passado, observou-se que o indicador no ampliado foi influenciado positivamente pelo comportamento das vendas no restrito, mas também pela atividade de veículos, motocicletas, partes e peças (22,7%) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (24,3%).

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em março, as vendas de veículos automotores alcançaram a taxa de 28,1%. O programa federal “Carro Sustentável” teve importante papel no crescimento dessas vendas, dada a política que reduziu ou zerou o IPI para veículos compactos, econômicos e menos poluentes produzidos no Brasil, a intensificação da concorrência entre montadoras, especialmente as chinesas, como BYD e GWM, e o crescimento das vendas de veículos elétricos e híbridos.

Já o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo e materiais de construção (13,3%) foram influenciados pelo efeito base, uma vez que em igual mês do ano passado recuaram suas vendas em -23,1% e -5,7%, respectivamente.