JUSTIÇA


Em voto, Moraes diz que Marielle ‘peitava interesses da Milícia’

Julgamento do assassinato da vereadora no STF começou esta semana

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Em seu voto no julgamento no STF do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ministro Alexandre de Moaaes afirmou que a vítima peitava os interesses da milícia.

O ministro do Supremo Tribunal Federal disse também que os mandantes e executores do crime não imaginavam a repercussão que teria a morte da vereadora.

“Marielle era uma mulher preta e pobre que estava peitando os interesses de milicianos. Na cabeça misógina e preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás: ‘Ah, vamos eliminá-la e isso não terá repercussão’”, disse Moraes.

PGR pede condenação de cinco acusados do assassinato de Marielle

O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, pediu a condenação dos cinco acusados do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O julgamento teve início nesta terça-feira (24), na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os acusados de participação no crime são o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.

Na avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), os acusados “constituíram e participaram ativamente de organização criminosa armada” que, com a ajuda de milícias, praticaram crimes de associação estruturada, com clara divisão de tarefas no Rio de Janeiro, com o objetivo de obter “vantagens econômicas, sempre mediante a prática de crimes graves”.

Segundo a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso de fazer os disparos de arma de fogo contra a vereadora e o motorista, os irmãos Brazão e Barbosa atuaram como os mandantes do crime.

Rivaldo Barbosa teria participado dos preparativos da execução do crime. Ronald é acusado de fazer o monitoramento da rotina da vereadora e repassar as informações para o grupo. Robson Calixto teria entregue a arma utilizada no crime para Lessa.