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Amputado, delegado baleado em megaoperação no RJ diz estar vivo por ‘milagre’

Bernardo Leal passou por nove cirurgias, ficou 47 dias internado e agora inicia a reabilitação

Imagem: Reprodução/TV Globo

O delegado Bernardo Leal, de 45 anos, diz considerar um “milagre” ter sobrevivido após ser baleado por um tiro de fuzil durante uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro. “Primeiro, feliz de estar vivo. Desde o início não existiu lamentação, só gratidão. Os médicos diziam que era um milagre”, afirmou em entrevista exibida no domingo (19) pelo Fantástico, da TV Globo.

Leal sofreu uma lesão considerada raríssima, com fratura no fêmur e rompimento da artéria e da veia femoral, o que provocou uma hemorragia grave. O resgate durou mais de uma hora, sob intenso tiroteio, e foi marcado por improvisos de colegas para mantê-lo vivo até a chegada ao hospital.

O disparo atingiu a perna direita, na altura da coxa, provocando fratura no fêmur e rompimento da artéria e da veia femoral estruturas vitais para a circulação sanguínea dos membros inferiores. A hemorragia foi imediata e severa.

A partir daí, começou um resgate dramático que durou cerca de uma hora e quinze minutos, sob intenso tiroteio. Imagens exibidas pelo Fantástico mostram policiais quebrando paredes de casas para retirar o delegado, que perdia a consciência repetidamente.

“Eu apagava, alguém me acordava. Lembro de pedir para ligarem para minha mulher. Eu sabia que estava muito ruim”, relatou.

Os colegas improvisaram torniquetes, carregaram Leal nas costas e chegaram a usar uma moto para retirá-lo da área de confronto. Um dos agentes tirou o próprio colete à prova de balas para conseguir subir escadas com o delegado ferido.

“Ele me botou nas costas, sem colete, e falou: ”Segura, doutor, vambora‘”, disse. No trajeto até o Hospital Getúlio Vargas, Leal desmaiou várias vezes. A última lembrança antes de perder completamente a consciência foi a de ser colocado em uma maca.

No hospital, o quadro era crítico. Leal recebeu 30 bolsas de sangue volume suficiente para trocar todo o sangue do corpo três vezes. Houve suspeita de morte cerebral. “Disseram que ele tinha 3% de chance de sobreviver”, contou a esposa, Elen Leal, também em entrevista ao Fantástico.