POLÍTICA


Zema defende cobrança de 1% sobre salário de formados em universidades federais

Pré-candidato do Novo também acumulou declarações polêmicas sobre trabalho juvenil, STF e anistia aos envolvidos no 8 de janeiro

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) tem intensificado o tom do discurso político em meio à articulação de sua pré-campanha à Presidência da República. Na última semana, o mineiro acumulou declarações polêmicas envolvendo universidades públicas, trabalho juvenil e críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma estratégia para ampliar a visibilidade nacional junto ao eleitorado conservador e liberal.

Em entrevista ao Grupo ND+, de Santa Catarina, Zema defendeu a criação de uma contribuição equivalente a 1% do salário de profissionais formados em universidades federais. Segundo ele, a medida seria uma alternativa para financiar o ensino superior público sem a cobrança direta de mensalidades.

A proposta provocou reação de entidades sindicais e movimentos ligados à educação, que acusaram o ex-governador de defender a redução da participação do Estado no financiamento das universidades públicas. O posicionamento reforça o perfil que Zema tenta consolidar nacionalmente, ligado à defesa de redução de gastos públicos e gestão com viés empresarial.

Outra declaração que gerou repercussão ocorreu durante participação no podcast Inteligência Ltda, quando o político defendeu flexibilizar regras relacionadas ao trabalho infantil e adolescente. Ao comparar o Brasil aos Estados Unidos, Zema afirmou que jovens poderiam ingressar mais cedo no mercado de trabalho e criticou setores da esquerda por, segundo ele, associarem o trabalho a prejuízos para os adolescentes.

Após a repercussão negativa, o ex-governador publicou um vídeo afirmando que defendia, na verdade, a ampliação do programa Jovem Aprendiz para adolescentes a partir dos 14 anos, como forma de afastá-los da criminalidade.

O pré-candidato também elevou o tom das críticas ao STF. Em declarações recentes, afirmou que ministros da Corte, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, deveriam ser presos por suposta conivência com corrupção.

As falas motivaram reação do ministro Gilmar Mendes, que solicitou investigação contra Zema por calúnia após publicações satíricas feitas nas redes sociais sobre fraudes no Ministério da Educação (MEC).