POLÍTICA


Sul tenta virar país mais uma vez: deputado propõe plebiscito de separação

Bruno Souza usou as redes sociais para sugerir a independência dos estados sulistas em decorrência da vitória presidencial de Lula

Foto: reprodução

 

O deputado estadual Bruno Souza (PL) defendeu a separação da região Sul do restante do Brasil nesta segunda-feira (26). O parlamentar sugeriu um movimento separatista após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026.

A manifestação ocorreu por meio de publicações nas redes sociais. O político prometeu convocar uma consulta popular. “Como deputado eleito em Santa Catarina, vou cumprir a promessa de campanha: Convocar um PLEBISCITO para o povo catarinense (e do Sul) votar se ainda quer fazer parte desta Federação”, escreveu.

Na mesma postagem, Bruno Souza afirmou que “as diferenças de preferências, prioridades e valores ficaram claras mais uma vez nesta eleição” e que “o SUL MERECE SER LIVRE!”.

Em outro momento, o parlamentar direcionou mensagens aos nordestinos em deslocamento para a região sul “a trabalho”. O deputado afirmou que as pessoas deste grupo e que “não fazem o L” são “bem vindas”. “Ajudem a cuidar do Sul!”, completou.

Em resposta às publicações, internautas alertaram sobre a inconstitucionalidade da medida. O Artigo 1º da Constituição Federal estabelece a indissolubilidade da união dos estados brasileiros. O texto legal não permite a secessão de nenhum território da federação em vigor.

A ideia de emancipação sulista possui precedentes históricos no país, com destaque para a Revolução Farroupilha. O conflito armado ocorreu entre os anos de 1835 e 1845. Em 1836, os revoltosos declararam independência do Império do Brasil e fundaram a República Rio-Grandense, com quase nove anos de duração.

Dentro do mesmo contexto separatista, ocorreu a proclamação da República Juliana no ano de 1839, na cidade catarinense de Laguna. O movimento aliou-se aos farrapos gaúchos, mas durou apenas alguns meses. O embate encerrou em 1845 por meio do acordo de paz do Ponto de Poncho Verde.

O tratado com o Império garantiu anistia aos revoltosos e reduziu impostos sobre o charque. O documento também integrou os oficiais gaúchos ao exército imperial e deu fim à tentativa de separação. Atualmente, a pauta sobrevive sem caráter militar, apenas com atuações na esfera política.

O movimento pacífico “O Sul É o Meu País”, fundado em 1992, atua como o principal exemplo contemporâneo. A organização defende a independência dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tais iniciativas, contudo, não possuem apoio massivo ou reconhecimento oficial.