POLÍTICA


PT, PV e PCdoB acionam TSE e pedem suspensão de perfis criados com IA que atacam Lula

Federação Brasil da Esperança alega uso de desinformação e anonimato em páginas da personagem “Dona Maria”, que acumulam milhares de seguidores nas redes sociais

Foto: Reprodução/Youtube

 

Os partidos PT, PV e PCdoB, que integram a Federação Brasil da Esperança, acionaram o Tribunal Superior Eleitoral solicitando a suspensão imediata de perfis nas redes sociais que utilizam a personagem “Dona Maria”, criada por inteligência artificial. A representação foi protocolada na última quarta-feira (22) e envolve plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, Youtube e X.

De acordo com a ação, os perfis utilizam a imagem de uma senhora idosa e negra gerada por IA para divulgar conteúdos que atacam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e figuras da esquerda. Uma das contas no Instagram soma mais de 730 mil seguidores, enquanto o canal no YouTube ultrapassa 28 mil inscritos. O criador de conteúdo Daniel Cristiano, apontado como responsável por uma das páginas, reagiu publicamente e classificou a medida como “desespero”.

Na justificativa enviada ao TSE, os partidos argumentam que, embora o perfil tenha informado inicialmente que a personagem não é real, essa indicação não se mantém clara nas postagens seguintes. Segundo a federação, o conteúdo pode induzir o público a acreditar que se trata de uma pessoa verdadeira, funcionando como uma ferramenta de propaganda política com posicionamento favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

A representação também aponta a divulgação de informações falsas ou descontextualizadas, incluindo conteúdos sobre o PIX e declarações atribuídas de forma distorcida ao presidente. Entre os alvos das publicações estaria o ministro Guilherme Boulos, além de outras figuras públicas. Um dos exemplos citados é a alegação de uma suposta “tributação para catadores de latinha”, classificada pelos partidos como falsa.

Os autores do pedido solicitam, além da retirada dos perfis, que o tribunal determine medidas para impedir a replicação dos conteúdos e exija das plataformas dados que permitam identificar os responsáveis pelas contas e pela monetização. A federação também pede que as publicações sejam declaradas ilícitas, citando uso irregular de inteligência artificial sem aviso claro, disseminação de desinformação, anonimato com fins políticos e possíveis crimes contra a honra no contexto eleitoral.

Outro ponto levantado é o possível uso comercial dos perfis. Segundo a ação, o administrador teria mencionado propostas de monetização, incluindo parcerias com empresas e divulgação de cursos sobre inteligência artificial e automação, o que, para os partidos, reforça o caráter político e econômico da iniciativa.