POLÍTICA


Entidades de magistrados pedem ao STF mais prazo para aplicar limites a penduricalhos

Associações alegam dificuldades na implementação das novas regras, que restringem verbas extras a até 70% do salário dos juízes

Foto: Gustavo Moreno/STF

 

Associações que representam magistrados brasileiros solicitaram ao Supremo Tribunal Federal a ampliação do prazo para aplicação das novas regras que limitam os chamados “penduricalhos”, verbas indenizatórias adicionais ao salário. O pedido foi formalizado nesta segunda-feira (27) pela Associação dos Magistrados Brasileiros, com apoio de outras entidades do Judiciário.

No documento encaminhado à Corte, as associações pedem a suspensão temporária da eficácia da decisão, alegando dificuldades operacionais para cumprir integralmente as determinações. Segundo o texto, tribunais enfrentam entraves para interpretar e aplicar corretamente as novas regras sem risco de violar direitos dos magistrados. A proposta é que a norma passe a valer apenas 30 dias após o julgamento de eventuais recursos.

A decisão do STF estabelece que as verbas indenizatórias não podem ultrapassar 70% do salário dos juízes, além de proibir o pagamento de benefícios que não estejam previstos em lei federal. Com isso, atos administrativos ou legislações locais deixam de ser válidos para justificar pagamentos extras acima do teto constitucional.

As entidades também mencionam a possibilidade de apresentação de embargos de declaração, recurso utilizado para esclarecer pontos considerados ambíguos ou omissos, como justificativa para o adiamento da aplicação das regras. Para a AMB, a medida evitaria interpretações divergentes enquanto o tema ainda estiver em análise na Corte.

O debate ocorre em meio a discussões mais amplas sobre o funcionamento do Judiciário. Em artigo recente, o ministro Flávio Dino defendeu mudanças estruturais e criticou a busca por ganhos elevados dentro da magistratura. Segundo ele, a associação entre poder e interesses econômicos pode comprometer o interesse público e favorecer práticas ilícitas.