POLÍTICA


Lula terá de ampliar negociações com Centrão no quarto mandato 

Especialista avalia que presidente precisará participar mais diretamente das articulações com parlamentares diante da maioria de direita no Congresso 

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá intensificar sua participação nas negociações políticas com o Congresso Nacional durante o quarto mandato. A avaliação é do vice-presidente da consultoria Arko Advice, Cristiano Noronha, em entrevista à CNN Brasil publicada neste sábado (7). 

Segundo o especialista, a nova composição do Legislativo representa um desafio para o governo, já que a direita conquistou maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal nas eleições de 2026. 

A expectativa é que Lula precise ampliar o diálogo com partidos do Centrão para conseguir aprovar projetos de interesse do Executivo. Diferentemente do terceiro mandato, a articulação deverá contar com uma presença mais direta do presidente nas conversas com lideranças partidárias e parlamentares. 

Noronha avalia que essa estratégia pode ajudar na aprovação de propostas, mas também representa riscos políticos. Ao assumir pessoalmente as negociações, Lula fica mais exposto a eventuais derrotas e ao desgaste provocado por dificuldades na relação com o Congresso. 

Fidelidade partidária será outro desafio 

Outro ponto destacado pelo especialista é a dificuldade de garantir apoio uniforme dos partidos da base governista. Mesmo quando ocupam ministérios e participam da estrutura do governo, as legendas nem sempre acompanham integralmente as orientações do Planalto nas votações. 

Como exemplo, Noronha citou o União Brasil, que, durante o terceiro mandato de Lula, mesmo ocupando três ministérios, registrou apoio entre 60% e 65% nas votações da Câmara dos Deputados. 

O cenário indica que a distribuição de cargos não será suficiente para garantir fidelidade política, exigindo negociações frequentes entre o Executivo e o Legislativo. 

Novo Congresso assume em fevereiro 

A nova composição do Congresso começa a exercer seus mandatos em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, o governo deverá avançar nas articulações para construir uma base parlamentar capaz de sustentar sua agenda. 

Entre os desafios estão a aprovação de projetos prioritários e a negociação com partidos que não integraram formalmente a aliança eleitoral de Lula. 

A participação de lideranças do Centrão poderá ser decisiva para a governabilidade, especialmente diante da força da oposição nas duas Casas legislativas.