POLÍTICA


Delação rejeitada de Vorcaro cita contrato de R$ 50 milhões com escritório ligado à esposa de Moraes

Documento mencionado em proposta de colaboração não assinada previa novo acordo com banca de Viviane Barci; escritório afirma que contrato nunca foi concretizado 

Foto: Reprodução/Rosinei Coutinho/STF

 

A primeira proposta de delação premiada apresentada pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e rejeitada em maio pelas autoridades, mencionava a elaboração de um novo contrato entre uma empresa ligada ao banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Segundo informações atribuídas ao conteúdo da colaboração, o documento previa o pagamento de R$ 50 milhões ao escritório Barci de Moraes. No entanto, de acordo com a versão apresentada por Vorcaro, o contrato não chegou a ser assinado nem houve transferência de recursos.

A proposta de delação indicava que o novo acordo teria sido elaborado em agosto de 2025, período em que já existia a expectativa de venda do Banco Master. Pessoas próximas ao ex-banqueiro afirmaram que a medida teria como objetivo garantir o pagamento dos valores previstos em um contrato anterior firmado entre o banco e o escritório de advocacia.

Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master declarou pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, referentes a serviços jurídicos e de consultoria. O contrato original previa remuneração mensal até janeiro de 2027.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que não celebrou qualquer novo contrato com Daniel Vorcaro ou empresas ligadas a ele, destacando que não prestou serviços nem recebeu valores relacionados ao suposto acordo de R$ 50 milhões. Procurado, o ministro Alexandre de Moraes não comentou o caso.