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Indicação de embaixador dos EUA sem consulta prévia gera incômodo no Itamaraty

Governo brasileiro avalia reação após nome de Daniel Perez ser enviado ao Senado norte-americano sem o tradicional pedido de agrément

Foto: Câmara dos Deputados da Flórida

 

A indicação do deputado estadual da Flórida Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil provocou desconforto no Itamaraty. O nome foi encaminhado pelo governo de Donald Trump ao Senado norte-americano para aprovação sem que houvesse, segundo fontes do governo brasileiro, a consulta formal e prévia ao Brasil, procedimento tradicional nas relações diplomáticas.

Nos bastidores, integrantes do Ministério das Relações Exteriores interpretaram a ausência do chamado agrément — autorização prévia e confidencial do país que receberá o embaixador — como um gesto de desrespeito diplomático. A avaliação de setores do governo é de que a situação pode ampliar tensões já existentes entre Brasília e Washington.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o tema ainda será discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora não exista uma posição oficial definida, auxiliares defendem que o governo analise com cautela a autorização para que Perez assuma o posto no Brasil.

A indicação também ocorre em um momento politicamente sensível, às vésperas das eleições presidenciais de 2026. Integrantes do governo demonstram preocupação com o papel que o novo representante norte-americano poderia exercer durante o período eleitoral, especialmente diante do cenário de polarização política no país.

Apesar das preocupações, fontes ligadas ao processo de indicação nos Estados Unidos avaliam que a tramitação no Senado norte-americano pode ser demorada. Com isso, não há garantia de que Daniel Perez seja aprovado e chegue ao Brasil antes da realização das eleições.