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Irã cobra garantias dos EUA para fechar acordo e diz não confiar em promessas de Washington 

Teerã afirma que só avançará nas negociações se seus direitos forem assegurados e cita suspensão de sanções, liberação de ativos e questões de segurança regional. 

Foto: reprodução/ Metrópoles

O Irã afirmou neste domingo (31) que qualquer acordo com os Estados Unidos dependerá de garantias concretas de que seus interesses e direitos serão respeitados. O governo iraniano também reforçou que não confia em declarações ou promessas feitas por Washington durante as negociações em andamento. 

A posição foi apresentada por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais nomes envolvidos nas tratativas, em pronunciamento divulgado pela televisão estatal do país. 

Segundo Teerã, entre as condições consideradas essenciais para um entendimento estão a suspensão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior e a preservação de interesses estratégicos do país, incluindo questões ligadas ao Estreito de Ormuz.  

O governo iraniano também defende que um eventual acordo contemple o fim das operações militares de Israel no Líbano contra o grupo Hezbollah, aliado de Teerã na região. 

Proposta dos EUA teria sido endurecida 

Apesar de sinais recentes de aproximação entre os dois países, informações divulgadas pela imprensa norte-americana indicam novas dificuldades nas negociações. 

Segundo o jornal The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria apresentado uma versão mais rígida da proposta de acordo encaminhada ao governo iraniano. Os detalhes do novo texto não foram divulgados. 

Já o site ‘Axios’ informou que Washington busca uma posição mais firme em temas considerados prioritários pela Casa Branca, como o programa nuclear iraniano e a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. 

Em entrevista exibida pela emissora Fox News, Trump afirmou que recebeu garantias de Teerã de que o país não pretende desenvolver armas nucleares. 

“A única garantia de que preciso é que não haverá armas nucleares”, declarou o presidente americano. 

Negociações seguem em meio à tensão 

Embora tenha afirmado que não há pressa para concluir as negociações, Trump indicou que os Estados Unidos poderão adotar outras medidas caso as conversas fracassem. 

No sábado (30), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país está preparado para retomar ações militares contra o Irã caso não haja avanços diplomáticos. 

O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel se intensificou após uma ofensiva militar lançada em fevereiro e tem provocado impactos na economia global, especialmente no mercado de petróleo. 

Enquanto Washington e Tel Aviv acusam Teerã de buscar capacidade para produzir armas nucleares, o governo iraniano nega as alegações e sustenta que seu programa possui fins pacíficos. 

Novos episódios elevam tensão na região 

A tensão também aumentou nos últimos dias com novos incidentes militares. 

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter atingido a sala de máquinas de um cargueiro que tentava chegar a um porto iraniano. Segundo os americanos, a embarcação navegava sob bandeira da Gâmbia. 

Já a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter abatido um drone americano MQ-1 que, segundo a versão iraniana, se aproximava de suas águas territoriais para realizar operações consideradas hostis. 

Até o momento, o Exército dos Estados Unidos não comentou a alegação.