POLÍTICA


Câmara dos Deputados aprova PLP dos Combustíveis com redução ou isenção de impostos federais

Pacote inclui isenções para a Copa do Mundo, minerais críticos e crédito para a produção de fertilizantes

Foto: Arisson Marinho/GOVBA

 

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (12), o PLP dos Combustíveis, com pacote de isenções fiscais, como a redução ou a suspensão de impostos federais sobre gasolina, diesel e etanol durante momentos de forte alta do petróleo no mercado internacional. O texto agora segue para o Senado.

A votação foi realizada após semanas de discussão sobre o projeto. Nessa terça-feira (11), uma reunião entre a relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos), e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destravou o documento.

Inicialmente, o texto previa uma renúncia fiscal de R$ 2 bilhões ao ano por cinco anos, mas uma manobra do Executivo e do Legislativo fez com que o valor ficasse de fora da conclusão.

As negociações para viabilizar o projeto abriram espaço para a inclusão de diferentes medidas de renúncia fiscal no PLP dos Combustíveis. Entre elas estão benefícios para a exploração de minerais críticos, para a produção nacional de fertilizantes e para a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027. As medidas foram incorporadas ao texto na forma dos chamados “jabutis”, expressão usada no Congresso para definir trechos que não têm relação direta com o tema original de uma proposta.

No caso dos minerais críticos, a proposta prevê isenção fiscal para a exploração desses recursos no Brasil. A Câmara já aprovou, em 2024, um projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ainda assim, o presidente da Casa defende que sejam ampliados os incentivos tributários para o setor.

O texto também cria um mecanismo de crédito fiscal para projetos voltados à produção de fertilizantes no país. A possibilidade de concessão do benefício vai até 2031 e poderá alcançar 20% das despesas relacionadas às atividades produtivas. Pela proposta, o governo poderá liberar até R$ 1 bilhão por ano entre 2027 e 2031. Esse teto ainda poderá ser elevado em mais R$ 1 bilhão por decisão do Poder Executivo, desde que sejam cumpridas as normas orçamentárias.

Entre os produtos contemplados estão ureia, nitrato de amônio, fosfato monoamônico, fosfato diamônico e cloreto de potássio. A relação inclui ainda matérias-primas utilizadas na cadeia, como amônia, enxofre e rocha fosfática, além de bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores.

Também foi incluída no PLP uma isenção relacionada à Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como país-sede.

A estratégia de concentrar diferentes benefícios fiscais em um projeto que já tramita no Congresso permite reduzir o caminho burocrático para a aprovação das medidas. Como o PLP já trata de renúncia fiscal, governo e parlamentares optaram por utilizá-lo para incorporar os novos incentivos, evitando a apresentação e a tramitação de propostas específicas para cada caso.