POLÍTICA


70% dos argentinos desaprovam ataques de Milei a Lula, diz pesquisa

Levantamento também questionou entrevistados sobre importância do Brasil e da economia brasileira para economia argentina

Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Os ataques proferidos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foram bem recebidos pelos argentinos, de acordo com uma pesquisa da consultoria argentina Zuban Córdoba.

Segundo o levantamento, 70,5% dos entrevistados afirmaram desaprovar a conduta do presidente argentino, outros 20% disseram aprovar as ofensas e 9,5% não souberam responder.

O levantamento também questionou entrevistados sobre a importância do Brasil e da economia brasileira para a economia argentina. Segundo a consultoria, 88,9% dos entrevistados responderam achar “importante” essa relação, outros 10,5% apontaram acreditar que isso é “desimportante” e 0,6% disseram não saber responder.

A pesquisa, segundo a Zuban Córdoba, ouviu 1.200 pessoas maiores de 16 anos na Argentina. A margem de erro da pesquisa é de 2,83% para mais ou para menos, e seu nível de confiança é de 95%.

Na convenção nacional do PL em São Paulo que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, no início de agosto, Milei fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Durante o evento, o argentino chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”.

No dia seguinte, em uma entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo, além de afirmar que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar o candidato Sergio Massa.

Após os primeiros ataques, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro. Ao mesmo tempo, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.

Em nota, o governo classificou o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira disse considerar o caso grave, e, dias depois, rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina.