MUNDO


Entenda como corrida pela IA virou crise e fez ações despencarem

Vitória da ala democrata nos Estados Unidos e longo prazo de retorno para investimentos ligados àao setor estão entre principais causas

Foto: Brian Penny/Pixabay

 

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) sofreram fortes perdas nas bolsas pelo mundo. Por trás do movimento está a preocupação dos investidores com os bilhões de dólares que as gigantes de tecnologia estão gastando para avançar na corrida pela inteligência artificial.

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos intensificou outra preocupação que já rondava o setor: a possibilidade de novas regras para a construção de centros de dados, estruturas essenciais para o funcionamento da IA.

Na quinta-feira (5), além do Nasdaq, outros índices importantes de Wall Street fecharam em forte baixa. O S&P 500 recuou 4,36%, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%. A onda de vendas também atingiu as gigantes de tecnologia americanas, com as sete empresas conhecidas como Magnificent Seven fechando em queda.

As sete gigantes de tecnologia perderam, juntas, US$1,036 trilhão em valor de mercado na quinta-feira (5), segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O montante supera o valor de mercado de todas as empresas listadas na B3, a Bolsa de Valores brasileira, estimado em US$857 bilhões.

As empresas ligadas à produção de chips, componentes fundamentais para o funcionamento da inteligência artificial, estiveram entre as mais afetadas. O índice de semicondutores da Filadélfia perdeu 12,2%. Entre as companhias que mais caíram estavam a Nvidia, com baixa de 9,3%, e a AMD, que recuou 17,3%.

Um dos fatores por trás da pressão sobre as ações está o tamanho dos investimentos que as empresas estão fazendo para desenvolver e ampliar seus negócios de inteligência artificial (IA).

Segundo a Reuters, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntas os investimentos em infraestrutura de US$113 bilhões para US$207 bilhões em um ano. A previsão é de outros US$232 bilhões em investimentos no trimestre seguinte.

Para 2026, os gastos de capital dessas quatro empresas podem chegar a US$740 bilhões, segundo estimativas citadas pela agência. Os recursos são destinados principalmente à construção de centros de processamento de dados, compra de chips e expansão da infraestrutura necessária para treinar e operar sistemas de inteligência artificial.

Analistas apontam que a questão é que esses investimentos levam tempo para gerar retorno. Enquanto as empresas gastam bilhões para ampliar sua capacidade, os investidores querem entender quando esse dinheiro vai se transformar em novas receitas e, principalmente, em lucro.

A queda das ações reacendeu a discussão sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial. Isso, no entanto, não significa que os especialistas considerem a tecnologia uma promessa sem fundamento.

“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, afirma Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Para ele, o risco está na diferença entre o potencial da tecnologia e o preço que os investidores aceitam pagar hoje pelas ações, considerando lucros que ainda não chegaram.