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Itamaraty trata renúncia de presidente do Paraguai como assunto interno

Governo brasileiro monitora crise política no país vizinho após saída de Santiago Peña e afasta impactos sobre a Itaipu Binacional

Foto: Reprodução/X

 

​O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) monitora a crise política no Paraguai como uma questão puramente interna do país vizinho, segundo apurações da CNN. Santiago Peña renunciou à presidência na quinta-feira (5) em meio ao colapso de um banco digital e à abertura de um processo de impeachment. O governo brasileiro mantém posição de cautela institucional e evita declarações oficiais de intervenção.

​A atuação diplomática do Brasil prioriza a observação dos fatos com distanciamento analítico. Fontes da pasta informaram à jornalista Isabel Mega, da CNN, que a avaliação sobre possíveis impactos bilaterais ainda é “muito precoce”.

A orientação federal é aguardar os próximos desdobramentos na política paraguaia; a diretriz em vigor segue o protocolo tradicional da política externa nacional.

​A analista relatou a visão do corpo diplomático sobre a necessidade estrita de não interferência estatal. Ela reproduziu a perspectiva do ministério com a seguinte declaração literal: “o que o Itamaraty está fazendo é o que sempre faz em casos do tipo: vai acompanhando os desdobramentos, fazendo monitoramento de perto, porque tem o entendimento de que o que está acontecendo neste momento no Paraguai é assunto dos paraguaios, é assunto interno”. O Estado brasileiro concentra as atenções no mapeamento de cenários futuros.

​As relações entre as duas nações possuem base estrutural no comércio e na atuação conjunta no Mercado Comum do Sul (Mercosul). As diferenças políticas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Peña não afetaram as pautas institucionais até o momento. Dados da diplomacia brasileira apontam a existência de cerca de 270 mil brasileiros com residência fixa no território paraguaio.

​A administração da usina de Itaipu Binacional, com controle dividido entre os dois países, permanece inalterada e funcional. Enio Verri, diretor-presidente da entidade, alinhou seu discurso ao governo federal e descarta consequências operacionais imediatas. Ele ressaltou a segurança jurídica do acordo bilateral e afirmou que o tratado “é muito completo e rege essas relações com toda a tranquilidade”.