JUSTIÇA


MPF arquiva pedido para investigar Bolsonaro por fala contra mulheres

Conselho contesta decisão e aponta violência política de gênero após declarações do ex-presidente às vésperas do Dia da Mulher

Foto: Marcos Corrêa/PR

 

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o pedido do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para investigar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta prática de violência política de gênero. A solicitação foi motivada por declarações feitas pelo ex-mandatário em 2025, às vésperas do Dia da Mulher, quando afirmou que mulheres ligadas ao PT seriam “feias” e “incomíveis”.

Na decisão, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, avaliou que, embora as falas sejam “social e eticamente reprováveis”, tratam-se de um episódio isolado. Segundo ele, não há, nos autos, elementos que indiquem uma estratégia de exclusão de mulheres da política ou impacto coletivo que justifique a abertura de ação civil pública.

Inconformado com o arquivamento, o CNDH apresentou recurso administrativo. A presidente do conselho, Ivana Leal, criticou a decisão e afirmou que declarações desse tipo reforçam a violência de gênero no país. “Em um país que mata quatro mulheres por dia, vítimas de feminicídio, é inadmissível que uma autoridade política se manifeste de forma tão violenta e irresponsável”, declarou. O recurso também é assinado pelo conselheiro e advogado Carlos Nicodemos.

As falas de Bolsonaro foram divulgadas em 6 de março do ano passado por seu filho, o vereador Jair Renan (PL). Na ocasião, o ex-presidente fez comentários depreciativos sobre mulheres identificadas com o partido adversário, gerando repercussão e críticas de entidades ligadas aos direitos humanos.