JUSTIÇA


Ministro do STJ recorre a limitações físicas para contestar acusações de assédio em depoimento

Marco Buzzi prestou depoimento na segunda-feira (15)

Foto: Assessoria/STJ

 

A defesa apresentada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi às denúncias de crimes sexuais contra ele ganhou contornos peculiares. Em depoimento prestado na segunda-feira (15), o magistrado sustentou que seu histórico de problemas ortopédicos e cardíacos, que o colocaria sob “risco de morte súbita”, tornaria incompatível a dinâmica dos fatos narrados pelas denunciantes. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Segundo a publicação, Buzzi disse sofrer com uma diferença de cinco centímetros entre as pernas em razão de uma reconstrução ortopédica, conviver com parafusos afrouxados, risco de fratura espontânea, cinco stents cardíacos e um marcapasso permanente. A maioria dos fatos foram causados após um acidente grave de moto.

O conjunto de problemas de saúde, segundo o ministro, tornaria impraticável qualquer ato libidinoso dentro do mar. Ele disse ainda que a praia estava lotada e que havia até uma apresentação temática inspirada em “Piratas do Caribe” no local.

A coluna diz ainda que uma testemunha localizada pelos advogados — que, segundo Buzzi, estava dentro do mar no exato momento do suposto episódio — afirmou se recordar da posição ocupada pelo ministro: cerca de um metro e meio de distância da jovem.

As gravações reunidas pela defesa mostram Buzzi e a jovem caminhando aproximadamente 130 metros pela faixa de areia antes de entrar no mar. A explicação apresentada é que ambos buscavam um trecho mais tranquilo da praia em razão das limitações físicas do magistrado.

De acordo com a denúncia, já dentro da água, o ministro teria puxado o braço da jovem e encostado o pênis em sua cintura, visivelmente excitado. Buzzi contesta cada etapa da cena: sustenta que não teria força para puxar a jovem por conta das limitações nem condições fisiológicas para completar o restante da narrativa. Um dos motivos seria o fato de sofrer de disfunção erétil desde o pós-pandemia.

Em relação à segunda denunciante, uma ex-servidora de seu gabinete que relata episódios de assédio ao longo de cerca de dois anos, a estratégia segue a mesma linha: contestar a narrativa apresentada e apontar ausência de provas materiais.

A defesa sustenta que os deslocamentos atribuídos ao ministro não seriam compatíveis com suas condições físicas e afirma possuir registros que contradiriam datas, horários e locais mencionados pela servidora. Segundo a rádio corredor de Buzzi, as atribuições da servidora restringiam-se à atuação na recepção, atendendo advogados no balcão, sem qualquer contato direto e frequente com o ministro.

As denunciantes não foram submetidas a novo interrogatório. O MPF entendeu que ouvi-las novamente poderia representar uma forma de revitimização.