JUSTIÇA


Cármen Lúcia pede desculpas ao povo brasileiro durante sessão do STF

Ministra afirmou estar em 'profunda consternação e tristeza' com os últimos acontecimentos envolvendo a Corte

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu a sessão plenária desta terça-feira (15) para falar sobre o momento vivido pela Corte. Durante o julgamento, ela afirmou estar em “profunda consternação e tristeza” e pediu desculpas ao povo brasileiro pela forma como os últimos acontecimentos repercutiram.

“Eu não tenho o hábito de antecipar voto quando há um pedido de vista, e por isso eu peço licença ao ministro Flávio Dino. Mas é uma questão de ordem nem é o voto que eu tinha sobre a questão, mas eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava contrariada com alguma coisa, não, eu disse eu estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui que você teria sido o aquele ato decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal guarda da Constituição por determinação nela expressa provocou um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, disse a ministra.

A magistrada também afirmou que gostaria de ter contribuído para diminuir a tensão em torno do Supremo. De acordo com a ela, as tentativas de solucionar os problemas não tiveram o resultado esperado e a situação acabou se agravando.

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, afirmou.

A manifestação ocorreu durante o julgamento convocado para discutir um relatório da Polícia Federal que aponta uma relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.