ELEIÇÕES


Renan Santos vê risco em Flávio Bolsonaro por ‘acúmulo de poder’

Quarto colocado no pleito decide não votar e foca na construção de um campo político próprio

Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado; Assessoria/MBL;

O quarto colocado no primeiro turno das eleições, Renan Santos (Missão), declarou neutralidade na disputa de segundo turno entre o presidente e canddiato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao programa Alt Tabet, do Canal UOL, nesta quinta-feira (15), o político reforçou o descarte de voto e alertou para o risco de concentração de poder no Congresso Nacional.

Renan Santos avaliou o cenário institucional atual. Ele afirmou que uma eventual vitória do candidato do PL representa um perigo maior de domínio no Senado e na Câmara.

“Eu acho, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio”, disse.

Os resultados das eleições confirmam o crescimento do PL no Legislativo a partir de 2027. O partido iniciará a próxima legislatura com a maior bancada do Senado, projetada em 28 representantes. O PT contará com nove senadores na Casa.

Na Câmara dos Deputados, o partido de Flávio Bolsonaro saltou de 97 parlamentares eleitos em 2022 para 121 neste pleito. A federação do atual presidente teve um avanço menor em comparação: a bancada petista subiu de 82 para 88 assentos na comparação com as eleições passadas.

O ex-candidato argumentou que Lula, nesse cenário de desvantagem numérica, não teria força para aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PECs).

“Porque se o Lula ganhar a eleição, o Lula não tem poder para passar PEC, para passar nada”, explicou.

Apesar das críticas a Bolsonaro, o dirigente partidário recusou o apoio ao petista. A decisão visa a proteção do seu eleitorado e a consolidação de uma via política independente.

“Eu não quero, em nenhuma medida, sinalizar para as pessoas que nos seguem, que foram extremamente rígidas com a construção de um projeto novo, que eu vou me acoplar a outro projeto”, afirmou.

Ele reforçou a liberdade de escolha dos seus eleitores. “Eu não vou votar, a última vez eu pedi voto nulo e dessa vez eu oriento: votem em quem quiserem”, declarou.

O político confirmou a possibilidade de anular o próprio voto no dia da eleição, a depender do local onde estiver. Durante a sabatina, o candidato derrotado analisou o comportamento das duas campanhas.

Ele apontou o uso da máquina pública pelo PT e acusou a chapa adversária de atuar com arrogância. Renan também descartou a possibilidade de uma ruptura democrática por meio das Forças Armadas.

Ele enxerga características autoritárias em ambos os lados, com foco na normalização de crimes contra o patrimônio público. “A natureza do Flávio é acordo e roubo, o tempo todo”, analisou.

Segundo o entrevistado, o senador atua com essas práticas em vez de planejar um golpe militar. O foco do líder do partido agora é o fortalecimento da sua própria base para o futuro.

“Ou eu crio meu campo político ou eu desisto da política”, pontuou. “Eu preciso abrir o meu campo, e isso é a melhor coisa que eu posso fazer pelo Brasil, mais do que o meu voto”, disse.