ELEIÇÕES


Wagner chama Flávio de oportunista e critica ‘ladainha da escravidão’ contra fim da 6×1

Petista lembrou que presidenciável do PL já prometeu a empresários derrubar a mudança em eventual governo e só votou a favor do texto para não perder votos

Foto: Rafael Nunes/Assessoria Jaques Wagner

 

O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) foi oportunista ao votar a favor do fim da escala 6×1 após prometer a empresários a revisão de pontos da proposta caso seja eleito. O petista afirmou que Flávio tentou barrar o texto até a manhã do dia da votação e só mudou de posição para não perder votos a 11 dias do segundo turno.

“Evidentemente que ele se colocou a favor da medida para não perder voto na urna. Ele pulou do barco para não ficar mal na foto, mas o povo está com um olho na missa e outro no padre, e está vendo quem efetivamente tem uma história na defesa do trabalhador”, afirmou Wagner em entrevista à Rádio 93 FM, de Jequié.

O candidato do PL não participou da sessão. Ele registrou a presença por volta de 20h30 e votou pela internet, o que é permitido no modelo semipresencial adotado nesta quarta. Durante comício de campanha em Porto Alegre, Flávio Bolsonaro ignorou o tema da 6×1.

Ao citar a movimentação de Flávio contra a redução da jornada semanal para trabalhadores, Wagner lembrou que o governo Jair Bolsonaro cortou o ganho real do salário mínimo, o que prejudicou principalmente aposentados do INSS e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) —que garante um salário mínimo por mês à pessoa idosa com idade igual ou superior a 65 anos e à pessoa com deficiência.

Por outro lado, segundo Wagner, os “superprivilegiados” vão dizer que o fim da 6×1 vai acabar com a economia. “É sempre a mesma ladainha, desde a escravidão. De lá para cá, tivemos a criação do salário mínimo, do 13º e o país não quebrou e, sim, prosperou. O trabalho dignifica o homem, mas todos precisam de tempo para curtir o fruto do trabalho, curtir a família, estudar, fazer um curso profissionalizante. Tenho orgulho de ter participado disso e parabenizo os trabalhadores que lutaram para essa vitória”, disse.

O texto que reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas foi aprovado com 75 votos favoráveis e apenas um contra —do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Eram necessários apoios de 49 dos 81 parlamentares.