ELEIÇÕES


Enquanto eu trabalhava, ACM Neto recebia do Master, diz Jerônimo, que tem aliado investigado

Candidato do União Brasil afirma ter prestado consultoria ao banco, mas não é alvo da PF; senador Jaques Wagner é suspeito de ser beneficiado com propina de Vorcaro

Imagem: Eduardo Costa e Matheus Morais/MundoBA

 

O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou na noite nesta terça-feira (1º) que, enquanto percorria a Bahia nos últimos quatro anos, ACM Neto (União Brasil) recebia dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso atualmente. A declaração foi feita durante entrevista à TV Aratu.

“Durante os quatro anos, eu percorri a Bahia trabalhando pela Bahia. O meu opositor, durante os quatro anos, deu consultoria ao Master, recebeu dinheiro do Master. Eu não recebi dinheiro do Master. Compare os nossos currículos de propostas de trabalho e onde é que um estava quatro anos trabalhando e onde é que estava o outro trabalhando”, disse o governador.

Principal rival de Jerônimo em mais uma disputa estadual, o ex-prefeito de Salvador recebeu R$ 3,6 milhões do  Master e da gestora de recursos Reag, de acordo com relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão vinculado ao Banco Central. ACM Neto afirma ter recebido o montante por prestar serviços de consultoria à extinta instituição financeira. Ele diz que todos os valores foram declarados.

Apesar das críticas de Jerônimo, ACM Neto não é investigado no escândalo do Master, diferentemente do senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT), cacique petista e aliado do governador. Segundo a Polícia Federal, o ex-lider do governo Lula é suspeito de ter recebido propina do banco de Vorcaro, por meio de empresa de sua nora, e um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O senador tem reiterado não ter cometido irregularidades.

Ambos, no entanto, são citados citados na proposta de acordo de delação premiada que o ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à PGR (Procuradoria-Geral da República).

‘Corpo de mulher não é peça de campanha’

Na entrevista à TV Aratu, Jerônimo também criticou a participação de duas mulheres nuas em um carro de campanha durante uma caminhada da campanha de ACM Neto no bairro de São Cristóvão, na capital. O governador classificou o caso como um exemplo inadequado de tratamento às mulheres em uma campanha eleitoral e relacionou a crítica à luta pelo enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher.

“Nós estamos numa luta contra o feminicídio, contra a violência contra a mulher. E o meu opositor botou duas moças nuas sobre um carro de campanha, depois pediu que alguém assumisse a responsabilidade. Não pode transferir responsabilidade”, afirmou.

“Corpo de mulher não é matéria de troca de votos. Nós não podemos dar o exemplo torto que foi dado, tratando as mulheres como uma peça de campanha eleitoral. Eu repudio isso”, disse Jerônimo.

O governador ainda cobrou respeito às mulheres e afirmou que a discussão eleitoral deve estar voltada à construção de políticas públicas. “Nós temos que construir um programa que fale de ideias, de inclusão produtiva, de carteira assinada, de jornada para que as mulheres possam ser respeitadas”, complementou Jerônimo.

Em discurso horas antes na Câmara Municipal, o vereador Claudio Tinoco (União Brasil) reagiu a críticas de aliados de Jerônimo ao episódio e mencionou um vídeo no qual a prefeita de Araci, Keinha (PDT), aparece rebolando ao lado do governador durante uma carreata na cidade.

Ao usar a expressão “rabeta da prefeita”, Tinoco afirmou que a cena deveria receber o mesmo tipo de avaliação de petistas.