POLÍTICA


Jaques Wagner e ACM Neto são citados em proposta de delação de ex-dono da Reag entregue à PGR

Executivo João Carlos Mansur menciona ingressos dados ao petista para show de Taylor Swift e aplicação do ex-prefeito de Salvador em fundo ligado ao Banco Master

Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado e Vitor Pereira/MundoBA

 

O senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador e candidato a governador ACM Neto (União-BA) estão entre os políticos citados na proposta de acordo de delação premiada que o ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à PGR (Procuradoria-Geral da República). A proposta tem foco em Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com quem Mansur tentou, sem sucesso, fazer uma delação conjunta. As informações foram reveladas pela colunista Natália Portinari, do portal UOL.

No primeiro caso, Augusto Lima, ex-sócio do Master, pediu que Mansur comprasse os ingressos — avaliados em R$ 63,3 mil — para o show da cantora Taylor Swift, no Allianz Parque (hoje Nubank Parque), em 2023. Eles foram usados para presentear Wagner.

Procurado, o senador afirmou que a compra foi “um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos”. Ele disse que “não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag”.

ACM, que é cliente da Reag, é dono exclusivo de um fundo de investimento, o Seattle 95, que era gerido administração de fundos até 2025. Por meio dele, fez uma aplicação no fundo Structure, de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

O ex-prefeito de Salvador disse ao UOL que é cotista do fundo de investimentos Seattle, “criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita”.

“Para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país.”

“A rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade de mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade.”

De acordo com a colunista do UOL, o Seattle 95 aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, em quatro compras entre novembro de 2021 e julho do ano passado. Em fevereiro de 2023, o fundo chegou a ter 98,6% de todo o seu patrimônio nessa única aplicação.

ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em dez depósitos. O patrimônio chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, um lucro de R$ 4,01 milhões, rendendo em média 17% ao ano