ECONOMIA


Risco de escassez global faz cotações do açúcar atingirem máxima em 16 meses

Projeções de déficit e possíveis medidas na Índia aceleram alta nas bolsas internacionais

Foto: ANBA

As cotações do açúcar operam em alta nas bolsas de Nova York e Londres nesta quinta-feira (20), O movimento dá continuidade aos ganhos de agosto e ocorre devido a revisões para baixo na oferta global, seca em polos produtores e potenciais medidas na Índia.

Na Bolsa de Nova York, por volta das 11h40 (horário de Brasília), o contrato Outubro/26 subiu 58 pontos e alcançou 18,13 cents por libra-peso, enquanto o vencimento Março/27 subiu 50 pontos, negociado a 19,05 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato Outubro/26 do açúcar branco avançou 199 pontos (US$ 562,10 a tonelada), e o vencimento Dezembro/26 subiu 156 pontos (US$ 551,30 a tonelada).

Os preços do açúcar bruto em Nova York renovaram o maior patamar em 15 meses, enquanto o produto refinado em Londres atingiu o maior nível em 16 meses. A oscilação decorre dos temores sobre o equilíbrio entre a oferta e a demanda mundial para as próximas safras.

O mercado também reage à informação de que a Índia avalia reduzir tarifas de importação para aumentar a oferta interna e conter a inflação dos alimentos. O país não realiza compras de porte no exterior desde o ciclo 2017/18.

Para Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, a escalada de preços reflete a percepção clara sobre a frustração da oferta mundial. “Tudo está se desenhando para grandes prejuízos aos canaviais em termos de oferta. Nós estimamos uma frustração produtiva superior a 10 milhões de toneladas nas principais origens mundiais de açúcar, considerando Brasil, Índia, União Europeia, China e Tailândia”, avalia Murici.

O especialista afirma que o cenário motivou movimentação no setor financeiro. “Os agentes e fundos de investimento acordaram para o fato de que a oferta global de açúcar será fortemente impactada. Isso acaba se refletindo diretamente nas posições compradas e na pressão sobre os preços”, relata o analista.

A Covrig Analytics passou a estimar déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, ante projeção anterior de superávit de 100 mil toneladas. A Czarnikow ajustou a previsão para o ciclo 2026/27 de superávit de 1,4 milhão para déficit de 100 mil toneladas, e projeta saldo negativo de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, com queda de 0,7% na produção mundial.

A Green Pool Commodity Specialists elevou a estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX ajustou a projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas. Na Ásia, o acumulado de chuvas das monções na Índia ficou 13% abaixo da média histórica até 19 de agosto, com previsão de precipitações abaixo do normal para agosto e setembro.

No Brasil, dados do Ministério da Agricultura (MAPA) indicam que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul caiu 8,4% na segunda quinzena de julho, para 46,08 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 17,6% no período (3 milhões de toneladas), ao passo que a fabricação de etanol subiu 2,8% (2,39 bilhões de litros).

No acumulado da safra 2026/27 até o final de julho, o volume total de cana moída no Centro-Sul atingiu 313,21 milhões de toneladas, alta de 2,1% ante o ciclo anterior. A produção acumulada do adoçante registrou queda de 12,4%, com total de 16,92 milhões de toneladas.