ECONOMIA


Crédito sobe na Bahia, apesar de aumento na inadimplência

No Nordeste, Score médio caiu 2 pontos enquanto Bahia apresentou variação positiva, mesmo diante do crescimento de 2,7 pontos percentuais na proporção de inadimplentes

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

A Bahia registrou alta de dois pontos no Score médio de crédito entre abril de 2025 e abril de 2026, enquanto todos os estados do Nordeste apresentaram queda no indicador. No mesmo período, a parcela da população adulta inadimplente no estado aumentou de 41,97% para 44,69%, segundo dados da Serasa.

No Nordeste, o Score médio caiu de 527 para 525 pontos. Já a Bahia apresentou uma variação positiva, mesmo diante do crescimento de 2,7 pontos percentuais na proporção de inadimplentes. O avanço, porém, ficou abaixo do registrado no conjunto da região, onde o índice passou de 43,93% para 47,29%, alta de 3,6 pontos percentuais.

Segundo Wesley Brandão, gerente de Score da Serasa, a diferença no ritmo de crescimento da inadimplência pode ajudar a explicar o comportamento observado na Bahia.

“Como o Score reflete diretamente esse comportamento de pagamento e endividamento, essa diferença pode ser um dos fatores que pode explicar o porquê de a Bahia ter conseguido, ainda assim, uma variação positiva no Score, enquanto o Nordeste como um todo recuou”, afirmou.

O especialista ressalta, porém, que não existe um único fator responsável pela variação do indicador, já que a pontuação é calculada a partir da combinação de diferentes aspectos do comportamento financeiro do consumidor.

O Serasa Score varia de zero a mil pontos e indica, segundo a empresa, a probabilidade de o consumidor manter seus compromissos financeiros em dia. Quanto maior a pontuação, menor tende a ser o risco de inadimplência, e o indicador pode ser utilizado pelas empresas como um dos critérios para a concessão de crédito.

A variação do Score também foi diferente entre as faixas etárias na Bahia. Os consumidores com mais de 65 anos tiveram o maior crescimento no período analisado, passando de 597 para 605 pontos.

Entre as pessoas de 51 a 65 anos, o indicador também avançou, com aumento de três pontos. Já a faixa de 31 a 40 anos foi a única a registrar queda, passando de 527 para 526 pontos.

De acordo com Brandão, o desempenho dos consumidores mais velhos pode estar relacionado ao tempo de relacionamento com o mercado de crédito. “Pessoas acima de 65 anos costumam ter um histórico financeiro mais longo e consolidado, o que tende a favorecer a pontuação”, explicou.

No grupo de 31 a 40 anos, a Serasa relaciona a redução à maior concentração de compromissos financeiros característicos dessa fase da vida, como financiamentos e compras parceladas. Segundo o gerente, esse público pode estar mais exposto ao volume de dívidas em aberto e à realização de pedidos de crédito em períodos curtos, fatores considerados na composição da pontuação.

No Brasil, mais de 83 milhões de consumidores estão negativados, segundo os dados apresentados pela Serasa. A média nacional do Score permanece na faixa classificada pela empresa como “boa”. A Serasa relaciona a retração observada no indicador nacional a um cenário de juros elevados, aumento do custo de vida e dificuldades para manter os pagamentos em dia e administrar as dívidas.