ECONOMIA


Projeções e metas fiscais do governo são irreais, dizem economistas

Resultado ideal se sustenta na expectativa de que o PIB encerre o próximo ano em alta de 2,56% e na esperança de que a inflação feche ligeiramente acima dos 3%

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

 

As metas e projeções feitas pelo governo no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO 2027) são “pouco críveis”, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.

“A estabilidade da dívida pública exigiria um superávit de ao menos 2% do PIB. Além disso, essas metas são pouco críveis na ausência de medidas de ajuste fiscal estruturais”, diz nota da Warren Rena assinada pelos economistas Felipe Salto, Josué Pellegrini e Daniel Ferraz.

Os analistas ressaltam que o resultado esperado viria descontando 0,45% do PIB (ou R$ 65,7 bilhões) de precatórios e outras despesas, de modo que o resultado efetivo seria de superávit de 0,05% do PIB (R$ 8 bilhões). “O cumprimento da meta só é viabilizado com a exclusão de 0,45% do PIB em despesas primárias”, questionam os economistas da Warren.

Ademais, o resultado esperado se sustenta na expectativa de que o PIB encerre o próximo ano em alta de 2,56%, acelerando em comparação aos 2,33% esperados para 2026, e na esperança de que a inflação feche ligeiramente acima dos 3%.

“É bom ter mantido a meta em 0,5% do PIB (havia alguns analistas falando na possibilidade de o governo mudar a meta de primário). Mas as premissas estão muito fora da realidade. Então, perde-se a chance de ganhar credibilidade”, pondera Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP.

“As projeções estão muito fora do que estamos vivendo com o conflito no Oriente Médio e nos desdobramentos que podem restar para 2027”, pontua.

O mercado prevê que o PIB cresça 1,8% em 2027, projeção mantida há 15 semanas segundo o boletim Focus, apurado pelo BC (Banco Central).

A mediana dos agentes econômicos ainda indica que o IPCA deve fechar o próximo ano em 3,91%. Por fim, é esperado um déficit de 0,4% do PIB.