ECONOMIA


Receita cria ‘cashback do IR’ para devolver imposto a quem não declarou

Medida piloto prevê devolução automática de até R$ 1 mil para contribuintes de baixa renda que tiveram Imposto de Renda retido na fonte sem obrigação de declarar

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

A Receita Federal anunciou um novo mecanismo no Imposto de Renda que promete corrigir uma distorção antiga: trabalhadores que tiveram imposto retido na fonte, mas não receberam restituição por estarem desobrigados a declarar.

Na prática, o chamado “cashback do IR” vai identificar automaticamente esses casos e devolver o valor pago a mais. A medida deve beneficiar cerca de 4 milhões de contribuintes, principalmente pessoas com renda mensal de até dois salários mínimos.

Não se trata de um “bônus” do governo, mas de uma devolução de dinheiro que já era do contribuinte. 

O valor máximo por CPF será de R$ 1.000, com média estimada em torno de R$ 125. O pagamento está previsto para 15 de julho de 2026, e será feito automaticamente via Pix (chave CPF), sem necessidade de solicitação.

As declarações automáticas começam a ser geradas a partir de 16 de junho de 2026, com base nos dados já disponíveis no sistema da Receita. Aqui tem um detalhe estratégico: isso amplia o alcance do Fisco sem depender da iniciativa do contribuinte, o que melhora a eficiência, mas também reforça o monitoramento sobre movimentações financeiras.

Agora, um contraponto importante: a medida resolve um problema específico, mas não ataca a raiz. O sistema tributário brasileiro continua complexo e com retenções que nem sempre refletem a renda anual real do trabalhador. Esse “cashback” funciona quase como um ajuste fino depois do erro já ter acontecido.

Para quem precisa declarar normalmente, nada muda. As regras seguem as mesmas, incluindo o limite de rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano-base 2025 e outras condições como operações na bolsa ou posse de bens elevados.