ECONOMIA


Petrobras ganha quase R$ 100 bilhões em valor de mercado durante guerra

Valor de mercado mudou com alta do petróleo durante guerra; Fluxo estrangeiro e cenário geopolítico impulsionam ações

 

Foto: Petrobras/Assessoria

 

A Petrobras acumulou uma valorização de R$ 97,7 bilhões em valor de mercado desde o início da guerra no Oriente Médio, impulsionada pela disparada do petróleo no mercado internacional e pelo aumento do fluxo estrangeiro na bolsa brasileira. A informação é do site BPMoney.

Em cerca de sete semanas, a estatal passou de R$ 532,2 bilhões para R$ 629,9 bilhões em valor de mercado, chegando a ultrapassar o pico de R$ 680 bilhões no período.

O movimento acompanhou a forte volatilidade da commodity e ajudou a sustentar o desempenho do Ibovespa nas últimas semanas.

Alta do petróleo impulsiona ações e atrai capital estrangeiro

A valorização está diretamente ligada à escalada dos preços do petróleo, que chegaram a subir cerca de 50% no início do conflito, especialmente após tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do comércio global de energia.

Como a Petrobras concentra grande parte de sua geração de caixa na área de exploração e produção, a alta da commodity impacta diretamente seus resultados.

Segundo analistas, essa dinâmica fortalece a atratividade da companhia, especialmente em momentos de incerteza global.

Além disso, o fluxo estrangeiro tem sido determinante. Investidores internacionais têm direcionado recursos para empresas com maior liquidez na bolsa brasileira, como a Petrobras.

Dados da B3 mostram que o fluxo estrangeiro está positivo em cerca de R$ 68 bilhões em 2026, enquanto investidores locais seguem retirando recursos.

Setor de petróleo acompanha movimento, mas com ganhos diferentes

Outras empresas do setor também registraram valorização no período, embora em menor intensidade. A PRIO (PRIO3) subiu 48,87% no ano, enquanto a PetroRecôncavo (RECV3) avançou 26,81% e a Brava Energia (BRAV3) teve alta de 16,09%.

Segundo especialistas, a diferença no desempenho se explica, em parte, pela estratégia de hedge adotada por algumas dessas empresas, que limita os ganhos em cenários de alta do petróleo, ao contrário da Petrobras, que tem menor proteção e maior exposição direta aos preços internacionais.

Dividendos e cenário para 2026 seguem no radar

Com o petróleo sustentado em níveis elevados, analistas avaliam que há espaço para aumento na distribuição de dividendos da Petrobras em 2026.

Projeções indicam um dividend yield próximo de 7,5%, podendo chegar a 10% caso o barril permaneça acima de US$ 80.

Por outro lado, há ressalvas quanto à influência de fatores internos, como decisões estratégicas da companhia e interferências políticas, que podem impactar a política de distribuição de lucros.

Prêmio geopolítico deve sustentar preços do petróleo

Mesmo em um cenário de arrefecimento do conflito, a expectativa do mercado é que o petróleo não retorne aos níveis pré-guerra, próximos de US$ 60 por barril.

Isso porque o risco geopolítico tende a permanecer incorporado aos preços, além da recomposição de estoques estratégicos por diversos países.

Esse contexto mantém o setor de energia como um dos principais vetores de volatilidade, e oportunidade, para investidores globais.