ECONOMIA


PF aponta que Banco Master inflou ativos em R$ 2,4 bilhões antes de negociações com BRB

Documentos indicam sobrepreço de 32% em carteiras de crédito vendidas ao banco público, em meio a suspeitas de fraude e crise de liquidez

Fotomontagem: Assessoria

 

A Polícia Federal identificou indícios de que o Banco Master inflou artificialmente o valor de ativos repassados ao Banco de Brasília (BRB) meses antes do anúncio oficial de uma proposta de aquisição. Segundo documentos apreendidos na investigação, o sobrepreço pode ter chegado a R$ 2,4 bilhões.

As evidências fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura a suposta criação de carteiras fictícias de crédito consignado entre janeiro e maio de 2025. No entanto, mensagens extraídas de celulares de executivos indicam que as práticas irregulares já ocorriam desde 2024, antes mesmo do início formal das apurações.

De acordo com planilhas internas analisadas pela PF, o BRB teria desembolsado cerca de R$ 9,9 bilhões por ativos cujo valor contábil era estimado em R$ 7,5 bilhões — um ágio de 32%. Em alguns casos, o superfaturamento teria chegado a até 93% acima do valor real das carteiras negociadas.

As conversas também revelam que o banco controlado por Daniel Vorcaro enfrentava dificuldades de caixa e dependia de aportes do BRB para manter a liquidez. Em mensagens, o executivo demonstra urgência na conclusão de operações e menciona o risco de recorrer a mecanismos como o depósito compulsório, mantido junto ao Banco Central.

O material apreendido inclui registros detalhados das transações entre julho de 2024 e janeiro de 2025, abrangendo diferentes tipos de ativos, como crédito consignado, Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e operações envolvendo fintechs ligadas ao grupo.

A investigação ainda está em andamento e busca esclarecer o papel de cada envolvido, além de dimensionar o impacto das operações sobre os cofres públicos e o sistema financeiro.