ECONOMIA


JPMorgan mantém Brasil entre mercados preferidos após alta nos lucros das empresas

Banco vê cenário brasileiro mais desafiador do ponto de vista macroeconômico, mas destaca que resultados corporativos têm mostrado resistência

Foto: Reprodução/redes sociais

 

Os resultados do terceiro trimestre têm reforçado a resiliência das empresas de mercados emergentes, mesmo em meio à recente correção das ações ligadas à inteligência artificial e às incertezas macroeconômicas globais. Em relatório global, o JPMorgan afirma que a temporada de balanços segue sustentando as perspectivas para as bolsas emergentes e mantém exposição acima da média em países como Brasil, China, Coreia do Sul, Taiwan, África do Sul, Grécia, Peru e Malásia.

No levantamento, que reúne companhias do índice MSCI Emerging Markets, o banco destaca que 71% das empresas já divulgaram seus resultados e aponta crescimento de 57% no lucro líquido na comparação anual. As receitas avançaram 33% e o Ebitda subiu 49%, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia na Ásia.

Apesar da forte correção recente das ações ligadas à inteligência artificial, o JPMorgan avalia que as principais fabricantes de semicondutores continuam apresentando fundamentos sólidos. Empresas como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC reportaram resultados acima do esperado e reforçaram perspectivas favoráveis para a demanda de IA até pelo menos 2028.

Segundo o banco, a conclusão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também pode funcionar como um catalisador para as bolsas emergentes ao reduzir parte da incerteza política global. Além disso, o JPMorgan entende que os mercados emergentes continuam negociando em níveis historicamente descontados e seguem relativamente pouco posicionados nas carteiras internacionais.

No caso do Brasil, o banco vê um cenário mais desafiador do ponto de vista macroeconômico, mas destaca que os resultados corporativos têm mostrado resistência. Até o momento, as empresas brasileiras que divulgaram balanços registram crescimento médio de 7% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, com uma proporção maior de resultados acima das expectativas do que abaixo.

O principal suporte ao mercado brasileiro tem vindo do setor de energia. O JPMorgan cita especificamente a PRIO (PRIO3) e a Vibra (VBBR3) como destaques positivos da temporada. Em contrapartida, o desempenho do segmento de materiais continua sendo pressionado pela Vale (VALE3), embora a mineradora tenha entregado Ebitda ligeiramente superior ao esperado pelo banco e pelo consenso do mercado, com destaque para o desempenho da divisão de cobre.

O relatório também observa que setores industriais e financeiros brasileiros vêm registrando crescimento anual dos lucros. Ainda assim, os estrategistas alertam que investidores seguem atentos à desaceleração do crédito e à possibilidade de pressão sobre as margens financeiras dos bancos diante de uma carteira mais conservadora.

Para 2027, o JPMorgan afirma que as revisões de lucro continuam positivas nos mercados emergentes, embora em ritmo mais moderado do que nos meses anteriores. O banco observa melhora das estimativas especialmente na Índia, enquanto Coreia do Sul e Taiwan seguem liderando os aumentos nas projeções de resultados corporativos.