ECONOMIA


Inadimplência e juros do crédito avançam no Brasil apesar de reduções na Selic

Banco Central indica taxa de calote em 6,6% e custo médio das operações livres em 48,5% ao ano em agosto

Foto:Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (29), os dados do sistema financeiro sobre as operações de crédito no país. Os indicadores de agosto registram aumento na taxa de inadimplência e no custo do crédito, em sentido contrário aos cortes recentes da taxa básica de juros.

A taxa Selic está fixada em 13,75% ao ano, após sucessivas reduções de 0,25 ponto percentual adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde março. Apesar dessa trajetória, o endividamento e os custos cobrados pelas instituições financeiras mantêm tendência de alta.

A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre subiu de 6,4% em julho para 6,6% em agosto. O calote das pessoas físicas passou de 7,8% para 8%, enquanto o indicador das empresas avançou de 4,2% para 4,3%.

No crédito total, que engloba recursos livres e direcionados da poupança e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a inadimplência passou de 4,9% para 5%. O endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda familiar em julho, alta de 0,2 ponto percentual, com comprometimento de renda estável em 28,7%.

A taxa média de juros do crédito livre alcançou 48,5% ao ano em agosto, com alta mensal de 0,8 ponto percentual e elevação de 2,3 pontos percentuais em 12 meses. No segmento específico de pessoas físicas, o custo dos juros chegou a 61,7% ao ano, sob efeito da variação da composição das carteiras.

O rotativo do cartão de crédito para pessoas físicas subiu de 436,2% em julho para 444,9% ao ano em agosto. Paralelamente, o spread bancário total variou de 20,9% para 21,2%, com a fatia referente a pessoas físicas em crescimento de 26,7% para 27,7%.

O saldo do mercado de crédito ampliado avançou 0,6% na comparação com julho e somou R$ 22 trilhões em agosto, montante equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A expansão decorre de aumentos de 2,5% em empréstimos externos, 0,6% em empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 1,6% em títulos de dívida securitizados.

No acumulado de 12 meses, o crédito ampliado teve crescimento de 11,3%. Houve altas de 13,9% em títulos públicos, 9,1% em empréstimos do SFN, 15,9% em títulos privados de dívida e 18,3% em títulos de dívida securitizados.

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$ 7,4 trilhões em agosto, com expansão de 0,5% no mês. Em 12 meses, a alta foi de 9,2%, com desaceleração ante os 9,3% registrados até julho.

Nesse período acumulado, o crédito para pessoas jurídicas cresceu 7,1%, ante 7,3% no mês anterior. Para pessoas físicas, o avanço atingiu 10,5%, frente aos 10,6% reportados em julho.

As concessões totais de crédito com ajuste sazonal subiram 1,7% no mês, com altas de 3,2% nas operações com pessoas jurídicas e de 0,7% nas operações com pessoas físicas. A taxa média de juros das concessões situou-se em 32,3% ao ano em agosto, com altas de 0,2 ponto percentual no mês e de 0,4 ponto percentual em 12 meses.