ESPORTE


Clubes discutem possibilidade de suspender Brasileirão após MP que proíbe bets

Dirigentes avaliam paralisação do campeonato diante do impacto da medida sobre contratos de patrocínio e pedem prazo para adaptação

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

 

Os principais clubes do futebol brasileiro passaram a discutir até a possibilidade de suspender o Campeonato Brasileiro após a publicação da medida provisória que proibiu as bets no país. Segundo informações do Estadão, os dirigentes avaliam os impactos da decisão sobre contratos de patrocínio e o planejamento financeiro das equipes.

A mobilização ganhou força após os clubes optarem por não participar de uma reunião marcada pelo Governo Federal para discutir os efeitos da medida. O encontro, que também teria a participação de representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), acabou cancelado.

Publicada em 25 de setembro, a MP nº 1.394 proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional, incluindo as modalidades esportivas. Os clubes agora discutem a criação de um período de transição para reorganizar contratos firmados com empresas do setor.

De acordo com o Estadão, as propostas apresentadas pelos dirigentes incluem prazos de seis meses a um ano para a retirada definitiva das marcas de apostas. A preocupação ganhou peso no futebol diante da presença das bets nos patrocínios. Levantamento da Máquina do Esporte aponta que 13 dos 20 clubes da Série A tinham empresas do segmento como patrocinadoras máster nesta temporada.

A própria medida provisória estabeleceu prazos para a retirada de materiais publicitários e de patrocínio. Segundo o governo, as empresas têm até 5 de outubro para retirar essas peças, enquanto sites e aplicativos de apostas devem sair do ar a partir de 6 de outubro.

Além do prazo para adaptação, os clubes querem uma participação mais ativa da CBF nas negociações com o governo. A intenção é discutir alternativas para reduzir os impactos financeiros da medida e reorganizar contratos firmados sob o cenário regulatório anterior.

A possibilidade de paralisação do Campeonato Brasileiro, porém, ainda está em discussão entre os dirigentes e não representa uma decisão tomada pelos clubes ou pela CBF. Segundo o Ministério da Justiça, uma força-tarefa identificou e derrubou 506 sites suspeitos de oferecer apostas de forma irregular após a publicação da MP.