ECONOMIA


Ibovespa recua 1,23% e dólar fecha a R$ 5,10 com pressão de juros e petróleo

Alta da commodity acima de US$ 80 e expectativa de elevação nas taxas americanas ditaram a trajetória dos mercados

O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (6) em queda de 1,23%, aos 175,5 mil pontos, enquanto o dólar recuou 0,41% frente ao real, cotado a R$ 5,10. A movimentação nos mercados de câmbio e ações ocorreu em reação à alta do petróleo no mercado internacional e à perspectiva de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos.

No mercado de commodities, o barril do tipo Brent subiu 3,38%, negociado a US$ 82,49, e o tipo West Texas Intermediate (WTI) avançou 3,14%, para US$ 77,58. O avanço seguiu o aumento da incerteza sobre a viabilidade de uma trégua de curto prazo entre Estados Unidos e Irã.

No cenário externo, a possibilidade de ajuste monetário nos Estados Unidos pressionou os ativos globais. Reportagem do jornal Financial Times informou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, está disposto a elevar os juros americanos caso a inflação permaneça resiliente. O movimento elevou a atenção sobre a divulgação do relatório payroll, que mede a força do mercado de trabalho nos Estados Unidos. A perspectiva de juros mais altos nos EUA aumenta a atratividade dos títulos públicos (Treasuries) e reduz o interesse por ativos de risco.

No âmbito doméstico, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em seu quarto corte consecutivo. O Comitê de Política Monetária (Copom) condicionou futuros cortes à melhora das expectativas inflacionárias, à desaceleração da atividade econômica e à evolução do mercado de trabalho.

Apesar da redução da taxa básica, os juros futuros apresentaram alta nos contratos intermediários e longos. Segundo Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da corretora Convexa, “o movimento refletiu a leitura de um comunicado mais cauteloso, em que o Banco Central voltou a destacar os riscos inflacionários, manteve a preocupação com as expectativas acima da meta e evitou sinalizar novos cortes de juros”.

Na ponta cambial, o dólar apresentou recuo ante a moeda brasileira. Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora Convexa, avalia que “o movimento reflete a atratividade do carry trade brasileiro, reforçada pela postura cautelosa do Copom ao manter o diferencial de juros elevado sem sinalizar novos cortes imediatos na Selic”.